quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Os passos do fantasma: Capítulo Três


Fred e Velma correram, Daphne corria atrás. Num momento, a garota fugia desesperadamente, no outro, o chão se partia e Daphne caia em um buraco. A garota abriu os olhos momentos depois e soube que estava sozinha na casa. Sentiu cortes nas suas pernas e braços, mas sabia que não eram grandes coisas. Apanhou uma caixa de lenços umedecidos na sua bolsa e limpou os arranhões.
Assim que terminou de se limpar, começou a analisar o lugar onde estava. O lugar era empoeirado e cheio de entulho. Boa parte do teto havia se quebrado e agora cobria o chão. Coladas às paredes, alguma caixas de papelão estavam abarrotadas. Daphne avançou para uma delas. De dentro, puxou pequenos papéis retangulares, propagandas de uma campanha pra prefeito. Nas imagens, Anita Oderheim era a candidata a prefeita e estava abraçada ao seu candidato a vice, Oliver Lenice.
Um barulho despertou Daphne para a realidade. A porta do cômodo onde estava se abriu e um homem com feições familiares passou por ela.
‒ O que significa isso? ‒ perguntou Oliver Lenice.
‒ Perdão. Eu sou Daphne, detetive da Mistérios Sociedade Anônima, estamos em uma investigação atrás do fantasma de Anita Oderheim. ‒ respondeu a garota, tentando manter uma pose profissional.
‒ Fantasma de Anita? Só pode estar brincando comigo.
‒ O senhor pode me explicar essas propagandas com você e Anita concorrendo a prefeitura? ‒ indagou, ignorando a reação de Oliver.
‒ Ora bolas, que explicação você quer? Anita ia concorrer comigo, antes de sua morte.
‒ Mas Anita Oderheim era a favor do atual prefeito, não?
‒ Você viu as imagens. Anita pode ter sido a favor um dia, mas você sabe como é o mundo da política. Ela encontrou alguma coisa que não devia ter encontrado dentro da prefeitura e passou a ser oposição. Dois meses depois, estava morta.
‒ E que coisa é esta? ‒ Daphne estava curiosa. Sentia que tinha atingido o cerne da investigação.
‒ Ora, nada que não se encontre em todas as prefeituras e casas de política. Anita era uma mulher muito correta, nunca toleraria qualquer ato contra o povo da nossa cidade.
‒ Vocês eram amigos, certo? Anita, o prefeito e você.
‒ Políticos não tem amigos, senhorita. E eu também não. Então, se puder me dar licença, tenho um piso quebrado para concertar.
Daphne já ia saindo quando se tocou de alguma coisa que deveria fazer. O fantasma de Anita tinha estado naquela casa. Ela subiu as escadas e observou atentamente, a procura de algum indício de que alguém tinha estado naquele lugar. Não havia nada. Era quase como se o fantasma nunca tivesse estado ali. Ou como se tivesse estado e alguém tivesse feito todo o trabalho de limpeza. Até mesmo a bagunça de Oliver na cama estava arrumada agora.
A garota deixou a casa e não encontrou a Máquina de Mistérios parada do lado de fora. Sem saber por onde começar a procurar, sozinha, sentou-se em uma lanchonete e pediu uma água. Quase dez minutos depois, encontrou Oliver saindo de casa e resolveu que iria persegui-lo. Era o melhor plano que podia bolar.


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