Não me lembro como isso tudo começou, muito menos me lembro como e quando deixei chegar a esse ponto, mas me lembro do dia em que a gente se conheceu. Talvez, no final, seja tudo a mesma coisa.
Foi naquela festa da Carol, sabe? Eu tinha ido com as meninas e estava me sentindo linda. Não tenho como me esquecer disso, passei a tarde escolhendo o melhor vestido e cacheando os meus cabelos. Era o tipo de noite em que eu não cansava de olhar o meu próprio reflexo. Entre uma música e outra, fui ao bar. Você estava lá. Disse que eu era a mais linda ali. Me chamou pra sair depois de 15 minutos de conversa. Saímos na noite depois daquela e nas seguintes também. Você nunca pediu pra me namorar, sabia? Mas de repente era assim que se referiam a nós. E eu deixei. Se eu lembrasse do exato dia que isso aconteceu, voltaria no tempo e terminaria com você naquela hora.
Parei de sair com as meninas porque você dizia que "elas não gostavam do seu jeito". Acreditei quando você me disse que era "sorte minha" você ter querido ficar comigo porque, afinal, se você me largasse eu ficaria sozinha, não é? Joguei o batom vermelho no lixo porque ele "me deixava com cara de puta". Deixei de visitar os meus pais porque "eles só queriam me voltar contra você"
Mas sabe qual era o problema na verdade? Você. Foi sempre você. Você sempre me dizendo o que eu devia ou não fazer. Qual é? Meus pais me educaram pra que eu soubesse diferenciar o certo do errado sozinha. Você me controlou. Abusou de mim. Entrou na minha mente de uma forma não tão romântica. Ah, antes que você pense o contrário, não estou escrevendo isso aqui pra te dar satisfação não. Eu mesma estou assinando minha carta de alforria.
Hoje, eu vou sair com as meninas. A Carol vai dar outra festa mas eu acho que, depois que consegui aquele mandado pra você ficar longe de mim (foi o único jeito), você não vai ter coragem de aparecer por lá. Aliás, ninguém te convidou mesmo. Vou usar aquele vestido que eu guardei por tanto tempo. Ah! Sabe o batom vermelho? Eu nunca mais vou tirar.


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