domingo, 24 de janeiro de 2016

Dura lex, sed lex

Tina veio falar comigo.
Ela estava com suas amigas fazendo os exercícios matinais na pracinha, como sempre fazia.
Eu estava num banco olhando o mundo ao meu redor.
Ela se aproximou sozinha.
 “Por que você está sempre sozinho? Você brigou com seus amigos? Eu nunca te vejo com ninguém... Você espera encontrar alguém aqui? É isso!?”
“Não. Eu só quero ficar sozinho.”
“Sozinho? Você está triste?”
“Não. Por que a pergunta?”
“É que não é normal ficar sozinho.”
“E desde quando eu sou o tipo de pessoa que se importa com coisas normais? Eu gosto de ficar sozinho. Gosto de ver o silêncio e ouvir as cores. Gosto de olhar para um ponto fixo no chão que eu sei que não tem mais ninguém olhando, porque ele é tão irrelevante quanto a minha presença no mundo. Eu gosto de olhar para outras pessoas e pensar em vidas aleatórias... Gosto de imaginar que sou outra pessoa, que vivo em outro planeta e também gosto de ouvir meu coração bater ao lado dos meus pulmões. Eu gosto de mim o suficiente para não sentir falta da companhia de outras pessoas em todos os 86400 segundos do mísero dia.”
Tina não falou mais nada. Foi embora.
Muito provavelmente eu afetei a autoestima dela.
Infelizmente, era verdade. Se a pessoa está satisfeita consigo mesma, ela não precisa de outros padrões externos o tempo todo, os amigos deveriam ser algo que não são.
Dura lex sed lex. Na verdade deveria ser sad lex, ou até mesmo bad lex.

Enfim, chega de escrever esta merda, eu quero ficar sozinho.


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