Tina
veio falar comigo.
Ela
estava com suas amigas fazendo os exercícios matinais na pracinha, como sempre
fazia.
Eu
estava num banco olhando o mundo ao meu redor.
Ela se
aproximou sozinha.
“Por que você está sempre sozinho? Você brigou
com seus amigos? Eu nunca te vejo com ninguém... Você espera encontrar alguém
aqui? É isso!?”
“Não. Eu só quero ficar
sozinho.”
“Sozinho? Você está
triste?”
“Não. Por que a
pergunta?”
“É que não é normal
ficar sozinho.”
“E desde quando eu sou
o tipo de pessoa que se importa com coisas normais? Eu gosto de ficar sozinho.
Gosto de ver o silêncio e ouvir as cores. Gosto de olhar para um ponto fixo no
chão que eu sei que não tem mais ninguém olhando, porque ele é tão irrelevante
quanto a minha presença no mundo. Eu gosto de olhar para outras pessoas e
pensar em vidas aleatórias... Gosto de imaginar que sou outra pessoa, que vivo
em outro planeta e também gosto de ouvir meu coração bater ao lado dos meus
pulmões. Eu gosto de mim o suficiente para não sentir falta da companhia de
outras pessoas em todos os 86400 segundos do mísero dia.”
Tina não falou mais
nada. Foi embora.
Muito provavelmente eu
afetei a autoestima dela.
Infelizmente, era
verdade. Se a pessoa está satisfeita consigo mesma, ela não precisa de outros
padrões externos o tempo todo, os amigos deveriam ser algo que não são.
Dura lex sed lex. Na
verdade deveria ser sad lex, ou até mesmo bad lex.

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