Engraçado.
Ontem, me lembrei de
uma promessa que a gente se fez.
Fomos ao cinema e rimos
e prometemos que faríamos isso sempre.
Era uma comédia
romântica, e nossos romances estavam bem longe dali.
Um dia sem namoradas,
prometemos.
Um passeio de amigos.
Um encontro de irmãos.
Lembro de termos
sentido saudades delas ali conosco.
Lembro de ter sido bom
poder falar um com o outro,
Foi bom poder falar das
nossas vidas sem ninguém por perto.
Foi a primeira vez.
Ironicamente também a
última.
“Vamos fazer isso sempre.
Uma vez por mês.”
No mês seguinte, você
não falou comigo.
As pessoas acham que eu
entendo, mas na verdade não entendo nada.
A imagem de superação
que eu construí é uma casa de tijolos sobre a lama.
Eventualmente, a lama
tornou-se barro, e a casa se sustentou.
Porém, o começo foi
enlameado.
Por alguns dias, eu
vivi sozinho.
Quando meu namoro
terminou, não tive para quem contar.
Não fui ao cinema.
Não vi outra comédia
romântica.
Não joguei futebol, não
fiz nada que prestasse.
Remoí a raiva que
sentia dela.
Remoí a raiva que
sentia de você.
Bati tudo no
liquidificador.
É tão difícil lembrar
de você e sentir nada.
É tão insano perceber
que eu me esqueci.
Me esqueci de nossos
segredos.
Me esqueci de nossos
filmes.
Me esqueci das zoações.
Me esqueci de quase
todas as promessas.
Mas eu ainda vejo
comédias românticas, e aprendi que deveria soar estranho nós dois vendo aquela
melação.
Dois irmãos, sem suas
namoradas rindo de desencontros amorosos.
Nossa amizade também se
desencontrou.
Eu nunca chorei por
isso.
Talvez eu devesse.
Ou talvez você esteja
muito morto para se preocupar com as minhas lágrimas.

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