terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Canto para um amigo

Engraçado.
Ontem, me lembrei de uma promessa que a gente se fez.
Fomos ao cinema e rimos e prometemos que faríamos isso sempre.
Era uma comédia romântica, e nossos romances estavam bem longe dali.
Um dia sem namoradas, prometemos.
Um passeio de amigos.
Um encontro de irmãos.
Lembro de termos sentido saudades delas ali conosco.
Lembro de ter sido bom poder falar um com o outro,
Foi bom poder falar das nossas vidas sem ninguém por perto.
Foi a primeira vez.
Ironicamente também a última.
“Vamos fazer isso sempre. Uma vez por mês.”
No mês seguinte, você não falou comigo.
As pessoas acham que eu entendo, mas na verdade não entendo nada.
A imagem de superação que eu construí é uma casa de tijolos sobre a lama.
Eventualmente, a lama tornou-se barro, e a casa se sustentou.
Porém, o começo foi enlameado.
Por alguns dias, eu vivi sozinho.
Quando meu namoro terminou, não tive para quem contar.
Não fui ao cinema.
Não vi outra comédia romântica.
Não joguei futebol, não fiz nada que prestasse.
Remoí a raiva que sentia dela.
Remoí a raiva que sentia de você.
Bati tudo no liquidificador.
É tão difícil lembrar de você e sentir nada.
É tão insano perceber que eu me esqueci.
Me esqueci de nossos segredos.
Me esqueci de nossos filmes.
Me esqueci das zoações.
Me esqueci de quase todas as promessas.
Mas eu ainda vejo comédias românticas, e aprendi que deveria soar estranho nós dois vendo aquela melação.
Dois irmãos, sem suas namoradas rindo de desencontros amorosos.
Nossa amizade também se desencontrou.
Eu nunca chorei por isso.
Talvez eu devesse.

Ou talvez você esteja muito morto para se preocupar com as minhas lágrimas.


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