terça-feira, 19 de janeiro de 2016

As crônicas de um velho camponês

Ouve-se ainda hoje a história de um grande sábio, conhecidíssimo na Europa Medieval por sua espantosa sabedoria. Naquele século, muitos reis e príncipes questionavam-no sobre os mistérios da vida, e, apesar da imensa curiosidade dos milhares de clandestinos, sempre os dizia:

"Somente a areia da ampulheta traz ao papel a sua caneta."

Confusos com o que o sábio lhes dissera, os viajantes sempre retornavam aos seus luxuosos castelos. Até que finalmente, um pobre camponês, deslumbrado com tamanha sabedoria, arriscou seguir o ensinamento. Ele ergueu sua humilde caneta e começou a escrever tudo que em seus pensamentos circulava.

Nos muitos dias em que fora viajar para terras distantes, o camponês nunca se esquecera de levar os dois instrumentos da sabedoria consigo. E assim o discípulo do sábio persistiu em escrever seus pensamentos todos os dias, religiosamente, até que a ampulheta não cedesse mais areia para pôr no papel a caneta.

Quando já lhe falhava o cérebro e não podia mais escrever, o sábio camponês decidiu contar a todos o que havia escrito por tantas primaveras. E quando já lhe falhava o coração e não podia mais respirar ou falar, a sabedoria então se fez pulsar pelas veias daquele povo de origem humilde por gerações e gerações.
 

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