sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A brilhante jornada pelo prêmio divino

 





Olá, caro visitante. A que devo a honra de sua presença na humilde morada de um contador de histórias? Ah! Claro. Você, como todos os outros, vem até aqui para ouvir uma história. Que criativo. Ninguém nunca vem para dar bom dia ou perguntar sobre a família. Todos vêm à casa do contador de histórias para quê? Para ouvir histórias. Por que será?

(pigarreia)

Mas, hein? Ah! Quer ouvir uma história. Vejamos... já deve saber do Sábio Salomão ou do Fortíssimo Hércules. Com certeza já ouviu sobre o vigor de Atlas e do poder de Zeus, até mesmo da coragem de Aquiles. E quem não conhece o veloz Mercúrio e suas peripécias? Pois bem, sei exatamente qual história contar-lhe. Conhece a Europa Setentrional? Aquela parte fria do mundo onde temos a Noruega, Dinamarca, Finlândia, dentre outros mais. Pois é, há muito tempo atrás, antes de Napoleão, César e Alexandre, um herói desbravou a região conhecida como as Terras Nórdicas, em busca de sua maior ambição, o motivo pelo qual seu coração pulsava, a doce, atraente, cheirosa, divina... bebida chamada hidromel. Veja bem, o cara gostava daquilo, era seu sonho de consumo, a bebida dos deuses, deveria prova-la. "Mas os nórdicos não tinham hidromel tanto quanto faz calor no verão do Rio de Janeiro?" Sim, mas esse era especial, como um dia útil sem trânsito em São Paulo, era o Hidromel Metheglin, o sagrado de Odin, servido no chifre do iaque dourado do rei Stogrennür das Montanhas do Gelo Vermelho. Ou seja, hidromel com especiarias em um copo bacana e anti-higiênico em um salão congelado no topo de montanhas com grande concentração minério de ferro. Aspiração fichinha. Ah! Não espere um "Era uma vez" nessa história. Nórdicos começam histórias com seus nomes para que sejam lembrados eternamente como o início da glória. Mentira, apenas seria um começo muito batido.

Oskarl, nosso herói, montado em seu alce, Aliünr, partia na noite mais densa do solstício de inverno em busca de seu objetivo supremo. Armado com uma machadinha, um escudo de madeira de pinheiro bruto e a sensualidade de suas roupas nórdicas fictícias que ignoram a possibilidade do incômodo com o frio, ele preparou-se para passar pelos desafios dos nove mundos para atingir seu objetivo supremo, uma bebedeira muito louca em um festim no topo da montanha.

Como só tinha uma noite para cumprir a missão, ou perderia a estreia da sexta temporada de Game of Thrones, Oskarl incitou Aliünr a atravessar seu primeiro obstáculo o mais rápido possível, a campina dos crânios de vaca sem outros resquícios de ossos, como se apenas as cabeças de vaca tivessem morrido ali, porém seus corpos não. Um nome grande, eu sei, mas a dificuldade dessa tarefa também era, pois, a Dama da Morte espreitava pelas redondezas, em busca de novas cabeças com chifres para decorar seu jardim mórbido, o que tornava Oskarl (longa história) e Aliünr possíveis alvos. Porém, esse obstáculo foi logo ultrapassado, porque, quando a Dama da Morte se fez presente, nosso herói, já preparado, havia mandado um áudio chamando um velho amigo que lhe devia um favor, o crush da Dama da morte, um vendedor de piscinas para zumbis, chamado Wadhurn Wifson, por quem o coração da gélida assassina se derretia. Assim, o nórdico guerreiro conseguiu chegar até o segundo dos desafios previstos pela druida vidente da floresta branca, Goohgleinjar, sem grandes complicações vindas da apaixonada Morte.
Em algum instante, Oskarl sentiu os pelos de seu alce eriçarem quando, no Pântano Corrompido, eis que surgiu um gigante, desperto, alerta, furioso. Era Brisaurgh, O Gigante (claro, se ele é um gigante, é óbvio que seu título será "O Gigante"). Um rugido ecoou pelo fétido bioma, semelhante ao brado de muitas vozes, um brado de revolta, de angústia, um brado por justiça ou vingança. Infelizmente ou não, nunca saberemos o que o gigante pretendia vingar, pois logo pôs-se a dormir novamente, permitindo que nosso herói passasse impunemente por sua guarda e prosseguisse com sua missão. Patético.

O terceiro desafio era atravessar o frio lago de gelo gelado super congelante magicamente resfriado, Rodrighurn Freinherjar. Oskarl, com muita sabedoria, já bolava um plano muito complicado envolvendo quebrar o gelo, nadar o lago inteiro enquanto submerso e lutando com as serpentes aquáticas gigantes que habitavam o fundo do lago e eram carregadas de energia elétrica, usar o crânio de uma serpente para quebrar o gelo do outro lada do lago, dar um jeito de atravessar o alce pelo caminho subaquático que abriu, e tudo isso sem ter de decidir se seria congelado em cubos ou escamas. Por sorte, por trás de todo grande guerreiro nórdico, há um grande alce cujo melhor amigo é um boneco de neve amante do verão e ciente dos melhores passeios turísticos esportivos da região. Assim, com uma chifrada atrás da orelha de nosso herói, Aliünr, o alce, pôde alertar o guerreiro da presença de um bicicletário do banco nórdico Ithaurnagg. Oskarl, por sua vez, baixou um aplicativo no seu celular (O quê? Todo mundo tem celular) e logo alugou duas bicicletas, para que ele e seu alce contornassem rápida e seguramente o lago, além de perderem uns quilinhos. Por que o guerreiro não contornou o lago a galope? Ah! Heróis.... sabe como é, né?

A neblina cobria a região do quarto desafio, uma densa floresta de pinheiros. Pela posição da lua, Oskarl conseguiu perceber que o Altas Horas estava para começar, porém, a Zorra total formava-se em sua cabeça. A neblina que ele respirava tinha propriedades alucinógenas, pois ali era o meio do caminho, o tronco que ligava raízes aos galhos nessa grande árvore que é a vida (desculpe, a névoa já este me afetando também), ali era a terra dos Humanos, uma terra de metáforas, conspirações, delírios e paradigmas. Atravessar esse caminho foi árduo, mas nosso herói conseguiu vigorosamente trespassar o quarto desafio, mas não sem antes desfrutar dos sons de Bob Marley e Tove Lo e de uma rave de outro mundo. Ao menos, agora o guerreiro tinha um colar de miçangas supimpa.

"Mas, contador de histórias, como ele passou tão fácil pelo quarto desafio?"
Não se engane, pode ter parecido fácil, mas as sequelas da arte de fazer miçangas nunca abandonarão nosso nobre guerreiro. Agora, Oskarl está fadado a viver sua vida marcado pela mão dos cursos de humanas, uma dádiva e maldição.
" Contador de histórias, ainda falta muito?"
Não prestou atenção? Nove desafios, estamos no quinto ainda. Paciência é um ótimo dado para o currículo.

Enfim, o quinto desafio, a Floresta Baldia das Estrelas Sirenóides. Oskarl, em suas viagens quando mais jovem, ouvira muito desse lugar de pouca iluminação devido às frondosas árvores que escondem o céu. Ali era onde os grandes rios de Ymir ligavam, por meio da água doce, os hoje conhecidos como Mar Báltico e Mar do Norte. Portanto, Hipstkgrünne, as sereias e tritões nórdicos, por lá se encontravam para tomar descafeinados, trocar conhecimentos cult e alternativos, debater sobre a moda diferentex utilizando-se do mais rebuscado vocabulário, e comparar suas diversas echarpes. Para passar por essa densa floresta abandonada pelos povos humanos, mas ainda muito influenciada pelos mesmos, Oskarl teria de dar algo de valor para a rainha das sereias Churckrutz, dominante e melhor representante da cultura da região. Oskarl, no entanto, sabia da paixão da rainha por jogos, então, após alguma barganha com nosso ilustre lutador, ela concordou em lançar um desafio como moeda de troca pela passagem segura por seus territórios. (Um desafio dentro de outro desafio?! Mind blast!!!) Desafio aceito, foi lançada a proposta. "Se conseguires arrancar meu coração sem matar-me ou derramar uma gota de sangue sequer, poderás continuar seu caminho para sua bebida nefasta, nobre guerreiro de tanguinha sensual, porém conformista. " Ora, você deve estar se perguntando: "mas porque a rainha quer que arranquem seu coração? ". Muito fácil essa resposta. A rainha acabara de sofrer de uma forte desilusão amorosa (história para outra hora) e achou que sem coração poderia parar de sofrer. Rainhas não deveriam assistir tanto Once Upon a Time, eu lhe digo. De qualquer maneira, Oskarl foi desafiado e já se encontrava em sua pose de O Pensador, já idealizando como traria um balde de água do frio lago de gelo (...) resfriado (consultar terceiro desafio) para congelar a rainha e arrancar seu coração pela boca sem que o sangue escapasse por estar sólido e sem que ela morresse, porém, novamente por sorte, o amigo boneco de neve de Aliünr alertara o alce de que sereias podem morrer de hipotermia, já o prontificando para impedir Oskarl e seu plano.... heroicamente sonso. Para a salvação da lavoura, Aliünr foi acometido por uma ideia genial e, sem nem ao menos encostar na rainha, arrancou metaforicamente o seu coração ao falar quem morreria na segunda temporada de Skins. Foi como se Osama tivesse explodido os sentimentos de Churckrutz, o que a tornaria a gélida e inexpressiva sereia que pretendia ser. Desafio cumprido, conquista desbloqueada, "Quem dá spoiler morre cedo. ", o nosso bravo alce foi a chave para o avanço de Oskarl para seu próximo dilema...

O sexto desafio. Passada a floresta, Oskarl chega em uma mata tropical. Sim, como haveria uma floresta tropical nas terras nórdicas? Mal sabia nosso herói, mas ele não apenas viajava por reinos, mas por mundos paralelos, cada um ligado à árvore da vida que rege o Universo, cada um.... (tosse) é a névoa de humanas, perdoem-me. Pois bem. Na mata tropical totalmente possível, um zumbido paranormal é ouvido vindo de todos os lados. Triste Oskarl, não poderia sobreviver a tal desafio. Veja bem, a floresta de cheiro doce e frutos coloridos estava totalmente tomada por colméias de abelhas e nosso nobre pobre guerreiro era alérgico à tais criaturas. E agora, quem poderá defendê-lo? "EEEEUUU, o alce que já tá merecendo um aumento!!!". Aliünr, em sua tentaviva de assistir o vídeo do Popeye atropelando um ciclista enquanto Fofão pula o muro ao som da segunda música mais triste do Linkin Park, foi surpreendido pelo comercial de uma dedetizadora. Uma ligação bastou e, em troca de um colar de miçangas, Oskarl pôde ver toda a presença das abelhas ser expurgada da região, e justo em tempo de acabar a reprise da Pitty De Frente com Gabi. O serviço fora um pouco mais caro que os demais, porém, muito melhor.

O sétimo desafio, não foi nem um pouco desafiador. Estava tarde, de ônibus nas trilhas só se via o corujão, e era o SÉTIMO desafio, o mais favorável número para descansar após grandes feitos, por isso, Oskarl e Aliünr decidiram pegar um atalho. Desviaram do Planalto da Perdição para tomar uma rota pelas Cavernas do Happy Hour. Timing perfeito. Nossos heróis puderam aproveitar seu pequeno momento de divertimento assistindo o final do show da Taylor Swift direto do Trapézio Planador, o maior anfiteatro do povo subterrâneo. Gritos, luzes, muita festa, nosso guerreiro e seu altivo alce tiveram de se conter para não trucidar os seguranças com seus chifres e machadinha para poder subir no palco atrás de sua diva. Mas logo, até as músicas prediziam sua partida e "Begin Again" foi o sinal perfeito para que retomassem sua missão, o hidromel não podia esperar.

" Já acabou, contador de histórias?"
Escuta aqui, você pula sete ondas no Ano Novo e ainda pede mais, e eu não posso contar mais de sete desafios? Aaaaah! .... (longo suspiro de controle) Retomando a história de nosso ilustríssimo guerreiro:

O paredão de escalada da grande cordilheira das Montanhas de Gelo Vermelho era bem próximo à saída das Cavernas do Happy Hour, assim, nosso herói já podia vislumbrar o grande salão congelado no topo das montanhas e o brilho celestial que descia como um farol a mostrar o sonho de sua vida ao alcance de sua mão, após uma árdua, perigosa e impossível escalada, óbvio. Mas, nosso guerreiro não estava disposto a escalar, logo, requisitou as NTICs (novas tecnologias de informação e comunicação) de seu fiel alce para que baixassem o novo aplicativo de GPS que os mostraria a mais fácil e rápida rota para o topo da montanha sem levá-los à alguma região de alto risco, como o Waze costuma fazer. Um belo plano, mas ele havia errado feio, errado rude, ao escolher sua empresa telefônica, a Telefonia e Informação Midgard, que agora não disponibilizava sinal de internet para baixar o aplicativo. Tristeza, ódio, raiva, estes eram os sentimentos que bombardeavam Oskarl, o Sensual, em seu oitavo desafio, cancelar o plano telefônico. Agora vocês devem querer uma narração épica, uma cena de batalha, morte, sangue, guerra, tanguinhas sensuais. Tudo isso aconteceu, porém, os pouparei de tamanha ação e acreditem, é para o seu próprio bem. No que se refere a cancelar recursos por telefone, até mesmo heróis devem dobrar o joelho e admitir que existem tarefas impossíveis no mundo. Assim, após uma longa madrugada, quando o Sol já quase raiava e o tempo se esgotava, a lágrima solitária escorria pelo rosto de nosso valente desbravador dos mundos, quando ele desistia de seu oitavo desafio, aprendendo que a paciência é a maior das virtudes e que não se pode ganhar todas as batalhas. Assim sendo, pelo aprendizado e porque eu sou bonzinho, ele passou no desafio!!!! YAAAAAY!!! Era um desafio psicológico.

E agora? Me diga, você que prestou atenção em minha narrativa, o que fará nosso herói para chegar ao topo da montanha? Não sabe? Pois eu sei. Claro! Eu sei a história toda, eu a estou contando. Dãh!

Nosso herói via um último desafio antes que pudesse saborear do sumo elixir dos deuses, o nono desafio, bem maior que qualquer esfera do dragão, a escalada peloo inescalável, a subirda à terra dos deuses. Tirando o caminho por GPS, sistema desenvolvido pelo cientista dos povos nipônicos, Loki Yorugakashi, o único outro caminho seria pela Ponte do Arco-Íris. Ah! Mas isso é fácil, Oskarl já perdeu as contas de quantas vezes foi beber com Heimdall, o guarda da ponte e porteiro da terra dos deuses. Na-na-ni-na-não. Heimdall estava de férias no Canadá com sua esposa Luiza e quem cuidaria de sua ponte seria sua substituta, ninguém menos que a fabulosa, fantástica e fantasmagórica Loira do Banheiro, uma questão assustadora. Oskarl, nosso herói, acompanhado de seu alce, foi relutantemente à loja de souvenirs do pé das Montanhas de Gelo Vermelho, adentrou seu banheiro para realizar um ritual proibido de magia negra muito mais poderoso e complicado que a invocação de Charlie-Charlie. O guerreiro destemido arrancou um fio de cabelo de sua loira cachoeira dourada e lançou-o na pia, em seguida, abriu e fechou a gasta torneira três vezes. Com sua machadinha, abriu um corte em sua mão e despejou seu sangue ralo abaixo. Por fim, recitou, "Loira do Banheiro, invoco-te. Traga para mim a Ponte para o reino além. ", enquanto tinha a boca cheia de farofa, e olhou fixamente para o espelho. Demorou, mas a marca de humanas enfim fazia seu derradeiro efeito. Nada acontecera em relação a efeitos sobrenaturais, mas agora ele percebera o quanto era loiro e arrasava na roupinha de bárbara sensual. O espelho lhe mostrava a verdade, Oskarl era a encarnação terrena da Loira do Banheiro. (Plot Twist!!!)

Uma luz desceu dos céus, equiparando-se a dourada luz celestial do Hidromel Sagrado. Esse mais recente raio de energia fora tingido de sete cores e explodira o teto da loja de souvenirs, carregando Oskarl em sua forma espiritual completa e Aliünr até o paraíso no topo das montanhas. Gigantes portas de madeira abriam-se revelando ao... aos heróis o grande salão congelado e seu tesouro em seu centro, o tão sonhado caneco de hidromel. FIM!!!

"Ué, mas já acabou? E ele não vai pegar o prêmio? "
"E o que acontece depois? "
" Não vai dizer como ele bebeu do hidromel?'

Tá bem!!! Eu conto o que acontece depois. Já chegou até aqui, tem que saber o resto. Uma pena, acaba com a glória da personagem, mas tudo bem.

Interferindo o amigo oculto dos deuses nórdicos, ao final do salão, o urro alegre de Oskarl pôde ser ouvido desde as terras do primeiro desafio. O hidromel divino, o sumo da vida que escorria pelo guerreiro, garganta abaixo. Tomou um chifre inteiro de um só gole, tamanha era a sede pela perfeição. A euforia tomou conta de nosso herói, sendo assim, ele montou em seu alce e lançou-se, o mais rápido que pôde, ao inverno eterno que se fazia do lado de fora do grande salão. Oskarl e Aliünr, correram, pularam, gritaram, nada mais importaria agora, o objetivo fora cumprido e... eles caíram do precipício montanhesco em sua gloriosa estrada em direção  à morte súbta.

Por isso, crianças, adultos, adolescentes, idosos, outros e você, que agora presencia minha história, nosso guerreiro foi ver se tinha álcool no céu e morreu. Logo, se for cavalgar um alce, não beba.

Era isso, faltava lição de moral!!! Ah! É, tem que escrever de novo:

FIM.

 

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