Há muito tempo atrás, em um reino esquecido, podia-se encontrar um pequeno príncipe. Agustov era o nome dele. O pequenino era bastante solitário. Não tinha amigos ou se quer seres dispostos a brincar com ele.
Quando ainda era um mero bebê, seu pai houvera de sair em batalha e nunca mais voltara. Sendo assim, restando apenas a amargura de sua mãe, Agustov contentava-se com leituras sobre ficção, parábolas e fábulas. E, de todas essas histórias, a que mais lhe despertava interesse era sobre um certo senhor de idade que se propunha a entregar presentes no frio da madrugada.
Agustov não sabia o porquê, mas, sempre em época de Natal, uma estranha felicidade tomava conta de seu corpo miúdo. Talvez fosse por conta da casa cheia dos primos distantes. Talvez pudesse ser o amor alheio, o qual sempre lhe faltava durante o resto do ano. Ou, os excessos das comidas e bebidas traziam um motivo a mais para pôr um sorriso no rosto.
Esperto como ele só, Agustov ficou decidido a arranjar uma maneira de se virar. Afinal, ele era um príncipe, e não podia dar maus exemplos ao seu povo vivendo o ano inteiro de cabeça baixa. O ânimo da população iria despencar, a produção podia cair, e a safra de alimentos ficar escassa. Nada disso seria produtivo, portanto Agustov pôs-se ao trabalho.
O pequeno príncipe passou a esculpir sua mente, de forma que fosse possível esquecer todas as preocupações que o cercavam. E, para dar o toque final, ele fez com que todos as fantasias lidas se tornassem realidade para o seu mundo restrito.
Após o feito, Agustov viveu em sua utopia alegre até seus 16 anos, quando a elite agrária do reino resolveu dar um golpe para acabar com a rainha. Os líderes do movimento esperariam o final do ano para agir, já que a maioria das tropas reais estariam incompletas.
Era uma linda noite de Natal. O céu estrelado ofuscava a mente dos desentendidos. O palácio estava iluminado por velas e tochas. A grande mesa do salão principal desfrutava de comidas apetitosas. Não demorou muito para os rebeldes chegarem ao quarto onde a rainha se arrumava.
Logo após a captura de sua mãe, Agustov foi levado ao trono pelos golpistas. Ele sentava em uma espécie de altar, e abaixo dele, todos do reino gritavam euforicamente.
À sua direita, estava a estaca de metal com a cabeça de sua mãe transpassada. À sua esquerda, estavam os líderes do golpe. E em cima de Agustov, agora estava a coroa imperial, a qual comprimia todas as suas fantasias de criança, a qual espremia qualquer mísera esperança de se levar uma vida plebeia.


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