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Eu tinha acabado te chegar do hospital. Minha empolgação para comemorar o Ano Novo era zero. A noite anterior, passei em claro graças ao choro de uma garotinha que não tinha nem um ano. Como chorava e berrava aquela criança, só por causa de uma injeçãozinha. Uma tal de Robyn. Robyn Rihanna se não me engano, aquela garota já berra desde agora, eu imagino quando crescer.
Pra variar, meu primo não estava em casa. Ele estava trabalhando com o governo novamente, fazia pouco mais de um mês que a Rússia tinha lançado o ônibus espacial, e pra variar, os americanos estavam descontentes.
Sem meu primo, já estava preparado para virar o ano sozinho. Curiosamente, quando deu 23h, a campainha ressoou. Eu não esperava ninguém.
- Sim? – a mulher do outro lado da porta era desesperadamente linda. Cabelos encaracolados loiros e bochechas rosadas que se destacavam na palidez do corpo.
- Boa noite. – Pelas duas notei que ela não falava inglês direito, mas ela parecia querer esconder isso, então não comentei nada. – Eu sei que pode parecer estranho, mas é que... Eu viajei com a minha mãe, nós íamos passar o Ano Novo juntas, mas nós brigamos e eu não tinha ideia do que fazer. Eu vi sua casa na saída do hotel, então resolvi... Sei lá, tentar a sorte.
- Que sorte!
Sem mais delongas, a convidei para entrar. Deu meia-noite, nós jantamos juntos e aproveitamos o ínicio do ano. Ela me contou sobre seus interesses literários e eu me apaixonava cada vez mais.
Já às 5 da manhã, estávamos transando no meu quarto. Depois de um bom tempo, ela pediu para ir ao banheiro. Estranhei sua demora e fui ver como estava. Surpreendi-a saindo do quarto do meu primo.
- O que você estava fazendo aí?
- Eu... Eu me perdi.
O jeito como ela falava me deixava sem-graça por tantas perguntas que eu fazia.
Levei-a de volta para cama e dormimos até o novo Ano começar de fato.
Ao acordar, não segurei meu grito. Em sua testa, um buraco de sangue se contraía. Ela estava morta. Na porta do meu quarto, meu primo com um revólver em riste.
- Primo?
- Então... Ela era boa de cama?
- Por que você fez isso? Você ficou maluco?
- Maluco ficou você de enfiar uma agente russa dentro da minha casa.
- Agente?!
Então tudo fez sentido, o inglês torto, a pele pálida e a entrada no quarto do meu primo.
- Primo... Ela entrou no seu quarto.
- No meu? Será que ela pegou alguma coisa? Eu preciso averiguar.
Ao abrir a porta, a bomba estourou.
Naquele dia. No último dia do Ano e primeiro de outro ano, perdi meu primo e dormi com a assassina dele.
31 de Dezembro de 1988: O pior dia da minha vida.


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