“Senhor,
estamos há uma altitude de dois mil pés, agora.” Disse o imediato com muita
serenidade para o piloto da aeronave. Sob uma temperatura de trinta graus
Celsius, ou oitenta e seis Fahrenheits,
as condições de voo eram perfeitas. Sem muitas turbulências, a tripulação
trafegava por uma floresta tropical de brócolis, com alguma quantidade de
espinafre camuflado por debaixo de algumas árvores.
“Faça
contato com o porto de Pedrinho Magalhães. O pouso da aeronave está programado
para às 12.00. Certifique-se de que teremos uma aterrizagem tranquila.”
Comandou o piloto com sua paciência magistral. A aeronave carregava um estoque
precioso de arroz feijão e bife, este último, com textura macia e partido
cuidadosamente em pedaços minúsculos.
O
avião agora encontrava uma declinação muito íngreme que demandava um movimento
brusco. O piloto virou o nariz do aeroplano para cima, e o som do vento
cortante se fazia muito alto na cabine de pilotagem. A declinação tinha textura
duvidosa e se assemelhava a um tecido comumente usado para revestir a pele de
alguns animais mamíferos e racionais. O interior, talvez constituído de
quantidades significativas de cálcio, causava um efeito de resistência forte.
Se o movimento não fosse realizado com perfeição, a queda poderia causar muitos
feridos.
Realizando
então um movimento perfeito, o piloto, orgulhoso, se permitiu uma olhadela pelo
vidro da aeronave. Lá embaixo, numerosas florestas de vegetais, casas de
omelete, prédios de melancia e pequenos cidadãos de milho que levavam suas
vidas da forma mais honesta que um milho pode levar.
“Devemos
estar chegando logo, copiloto. Faça contato com os superiores. Precisamos da
permissão para descarregarmos a aeronave.” Disse o piloto, com seus óculos
escuros e seu uniforme impecável. Sempre tinha medo das aterrizagens. Muitos de
seus amigos tinham sofrido terríveis acidentes no Aeroporto Pedrinho Magalhães.
Tomou de seu bolso uma foto e mirou uma vez sua esposa e filha, que
chuchuzinhos elas eram. Enfim, a confiança de que precisava. Não iria morrer
hoje. Tinha uma família para voltar.
O
rádio então soa gentilmente:
“Pedrinho,
olha o aviãozinho! Abra esse bocão.” Dizia a mãe pelo rádio. Felizmente,
Pedrinho abriu o bocão sem problemas desta vez.
“O
pouso foi autorizado, chefe. Pedrinho deve estar com um bom humor hoje.” Disse
o copiloto, aliviado de que voltaria para casa.
Após
entrarem no sempre úmido aeroporto Pedrinho Magalhães, a aeronave descarregou a
carga alimentícia e saiu em um instante. Voltando para o depósito, para buscar a
próxima leva de carregamento, ouviu-se dizer no rádio, era a Mãe:
“Só
mais uma colherada Pedrinho.”
Mas
ele foi irredutível, missão cancelada. A aeronave pôde repousar em paz.
“Cambio, desligo.”

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