sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Encontre-me aqui

 

Estou cansado, exausto. O suor acumulado na nuca. O corpo pesando. Perdido. Completamente perdido. O escuro me assusta, o desconhecido me assusta, estar aqui me assusta. Mas aqui, nessa Selva, nesse escuro, eu estou longe de lá. Daquele lugar caótico, dos gritos de revolta, daquele impasse, das mentes cruéis, do pânico. Aqui há o silencio, preenchido por sons primitivos e naturais, que acalmam essa atormentada alma. Seguro e em perigo. Tranquilo e inquieto.

Longe de uma comemoração de um ano selvagem que acaba e a esperança de um novo ano mais humano; porém talvez a palavra humano não sirva mais tão bem. O conforto da vida. O ar puro. A calma. Nada mais que olhar para cima e ver um céu extenso e limpo e estrelas pequenas brilhando preguiçosamente. Prefiro dizer adeus à tantos dias furiosos aqui, tão longe deles.  

Eu vi a crueldade, pessoas morrendo, pessoas matando, pessoas certas, pessoas erradas, pessoas inocentes. Um ano de transformações, revoluções. Poder, nascendo de fontes impossíveis. Divergências. Ideias, muitas ideias. Luz. Tentativas. Caos. Eu vi demais . Esse ano trouxe demais. Mais do que eu pudesse suportar. Algo brutal. E do que depender de mim, continuarei distante de lá; pelo menos, até a próxima guerra acabar, até a última estrela se apagar e a última das últimas gotas de chuva cair sobre o mar. E tudo isso pode acontecer, no que começa em cerca de 10 segundos.  Posso sentir a aproximação da despedida.

Sento-me no escuro, feliz. Nesse momento, em que há a transição de anos, a mudança dos tempos, mais um marco zero, um início,  estou longe do que por um ano inteiro me sufocou. E, em muito tempo, não me sinto tão bem. Perdido, assustado e maravilhado. 5 segundos. 

Me viro para o lado sem ver bem e sorrio na escuridão. O brilho fraco das minhas estrelas iluminam minha selva, que agora descansa cansada de viver demais. Acaricio seus rios pratas e caminhos escuros e ela quase desperta sob meu toque, mas está cansada demais. Então me deito junto a ela e me deixo perder, em meio a uma selva castanha avermelhada, iluminada por uma lua incompleta e machucada por ventos maldosos e severos. O lugar mais seguro e pleno que eu poderia estar nesse novo princípio. Agora.
 

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