Olhe além. Veja bem. Veja e pense no que vê. O que você vê quando olha? Você me olha e vê uma mulher? Uma garota? Um ser superior ou inferior?
Olhe nos meus olhos e diga-me o que vê. Rímel? Lágrimas? Rugas? Veja minha íris e, apesar da cor, veja que são iguais às suas. Veja que meus olhos movem-se em par, assim como os seus. Note ainda que acima deles encontram-se duas sobrancelhas maltratadas por um padrão arbitrário, que em sua originalidade, são como as suas.
Veja minha boca coberta por um batom vermelho, torta num sorriso forçado. Assim como a sua, eu a tenho para me alimentar e me expressar, talvez não na mesma proporção que a sua. Talvez eu me expresse menos, mas acredite, não tenho pouco a dizer, mas sim, pouca permissão para falar. Mas, tendo tanto em comum, por que temos diferente atenção?
Você não pode ver meu cérebro, mas lhe garanto que também é igual na forma. Talvez com algumas ideias diferentes, mas ideias são pouca coisa perto da forma como ele funciona. É um órgão maravilhoso, complexo e autorregulado. Algo realmente incrível e, veja só, ambos temos!
O coração que pulsa dentro de mim é como o seu, com mesma função. Ambos do lado esquerdo e, quando nos abraçamos, sentimos o coração um do outro no lado direito, como se tivéssemos sido preenchidos com 2 corações.
Somos tão iguais... Mas por que me tratas diferente? Por que me fazes sentir inferior? Não só a mim, mas a todos os que têm detalhes diferentes: a cor da pele, o órgão reprodutor, o afeto por alguém do mesmo sexo e mais um milhão de coisas que você insiste em transformar em barreiras, em degraus que jamais conseguiremos subir. Diferenças essas insignificantes, quando dentro de nós bate o mesmo coração.
Olhe para mim e diga o rótulo que enxerga. Enxerga uma mulher por algo que sequer pode ver? Gostaria que visse além. Gostaria que pensasse além.
Afinal, é tão difícil olhar para mim e ver... Um ser humano?

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