"Gostaria de saber o porquê das pessoas falarem "os opostos se atraem". Afinal, na química, substâncias apolares e polares não se misturam (condição para a existência de sistemas heterogêneos), assim como cargas positivas e negativas se repelem. Logo, como um casal de opostos teria química? A resposta é mais simples do que se pensa: os opostos não se atraem, eles se "completam". Usando exemplos mais simples fica mais fácil entender...e química complica um pouco as coisas. Desculpe, sou de indecisas (porque de humanas eu não sou, muito menos de biológicas, quem dirá de exatas)! Lá vai aquele exemplo básico: sem "o dia", não conheceríamos "a noite" que conhecemos. A mesma coisa com "o frio" e "o quente", e assim por diante. Para a existência de um, precisamos que o outro exista também! Sendo assim, preciso de você para existir! Alice, eu estou, completamente, apaixonado por você! Quer namorar comigo?"
Melissa estava procurando algo na gaveta do criado mudo de sua mãe, Alice, quando achou esta "carta". Não tinha remetente! Seria de seu pai? A letra parecia muito com a dele, realmente. Mas porque algo do tipo estava guardado em um lugar como aquele, em que coisas banais (em relação a significados sentimentais. Como: carregador de celular, pilhas e várias outras coisas desse gênero) eram guardadas? Melissa sabia que a mãe não era assim. Alice guardava todas as cartas, bilhetes e fotos em caixas. Todas as lembranças eram armazenadas com um cuidado excepcional (não só as lembranças que ficam nas caixas). Mas o que aquela estaria fazendo ali? Quando foi olhar novamente para a carta, reparou em algo que, até então, tinha passado despercebido: a carta era "nova". O papel estava novo, só haviam as marcas das dobraduras feitas para que ela pudesse caber no envelope, e as palavras estavam estavam bem nítidas (se a carta fosse antiga, as palavras estariam se apagando e tudo mais).
Então, o que seria aquilo? A jovem nunca saberia. Não perguntaria aos pais, afinal, isso significaria que ela estava mexendo nas coisas da mãe sem permissão. Logo, apenas a sua imaginação havia restado, e essa respondia aquela pergunta com algo novo a cada hora: aniversário de namoro, vontade do pai de fazer algo novo e romântico, reescrever uma possível carta antiga daquelas, e assim por diante. Eram muitas possibilidades. Possibilidades das quais ela nunca teria certeza de qual era a verdadeira. Mas se havia uma verdade que ela conhecia, era da beleza da carta.
Melissa se deitou, na noite daquele mesmo dia, e ficou imaginando quando ela receberia algo parecido, caindo no sono com um sorriso enorme no rosto.

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