segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Nenhum título é capaz de ficar sob este texto, apenas leia.

Sete dias se passaram. Não foi o suficiente, não para mim. Como as pessoas do Colégio vão entender que não tem tempo suficiente para eu voltar a estudar? Eu nunca mais vou conseguir assistir a uma aula de matemática sem pensar no Eduardo. Pensar em como ele poderia estar ali, fazendo piadas o dia inteiro.

Eu nunca achei que aqueles fossem ser os meus últimos momentos. Eu estava fazendo o meu percurso de sempre. Passando na lanchonete para comer o croissant que sempre comia antes de ir para o meu curso. Sem nem passar em casa e dar um oi para minha família. Nem mesmo um adeus.

A coisa que mais me irritou foi que, assim que eu entrei na sala, vi a Carol rindo. Como ela conseguia rir de qualquer coisa enquanto eu nem conseguia dormir direito. Eu estava revoltado. Talvez ela não sentisse a falta dele como eu sentia. Ah Deus, como sentia. Sentia um buraco enorme na minha vida.

Eu abri a minha mochila para pegar o dinheiro. O homem chegou de repente. Esfaqueou primeiro a Silvia, dona da lanchonete. Era a minha vez. A faca entrou na minha barriga e eu nem senti nada. Saboreei o resto de presunto em meus lábios. O último sabor da minha vida. Como ficariam sem mim?

Não aguentava mais olhar para os lados e vendo as crianças do sexto ano brincando e ver os inspetores contando piadas pelos cantos. Eu não suportava ver um sorriso sem me lembrar do dele. Sem pensar duas vezes, corri para a lanchonete. Sentei na porta do local fechado e esperei. Esperei a morte. Esperei Eduardo. Esperei.

 

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