quarta-feira, 1 de julho de 2015

Siga em frente

Uma vez me disseram que escolhemos os caminhos que seguimos. Acho que é o que todos querem acreditar. Que nossa vida é uma escolha. Que tudo o que fazemos é moldado na nossa vontade, no nosso desejo de seguir um caminho. Eu vivo no limbo, e posso lhe garantir que nem tudo é só vontade. Eu quis vir para cá, mas você não vai querer. Quando uma mulher vestida de branco lhe oferece uma possibilidade, você não diz não. Ou pelo menos eu não disse.

Ela me prometeu que eu viveria um tempo em um labirinto e pediu para eu seguir em frente. “Siga em frente.” Na primeira noite, você quer seguir em frente. Mas o labirinto é só uma sala escura. Não tem caminhos para você seguir, só uma saída para encontrar. Dei voltas na sala. Nada. Desisti da sanidade na primeira semana. Quando você começa a girar em torno de si mesmo, você tem a consciência do que é ser o mundo. E você desaba. Desaba ao perceber que aquela sala não te exime de culpa, nem de nenhum problema. De fato, você entrou sozinho numa sala escura.

Siga em frente. Que jeito mais simples de não dizer nada. Eu segui em frente, por mais que meus pés cheios de bolha me implorassem para parar. A dor dos calcanhares roxos me pedia para respirar um tempo, mas eu só queria seguir em frente. Sair de uma sala escura não é tão fácil como parece. Não é só seguir em frente.

Eu penso na solidão como uma bacia de água e acho que as pessoas são como esponjas. Quanto mais buracos [mais feridas] nós temos, mais água [mais solidão]  cabe dentro de nós. E eu apertei minha esponja mergulhada na bacia. Eu me permiti inundar de solidão. É melhor assim. Seguir em frente já não era mais um consolo mesmo. Era melhor aceitar que a solidão imperasse dentro de mim.

Dois tipos de pessoa vão entrar neste labirinto que eu entrei. Os otimistas vão ver uma sala escura, pensar em seguir em frente e procurar por uma mínima centelha de luz. Eu não. Já desisti desta ilusão faz tempo. Uma vez que você aceita a solidão dentro de si, você passa a entender a cegueira. E quando você desiste de encontrar a luz, é assim que você encontra a saída deste labirinto. Só que agora não faz mais sentido sair daqui. O quarto escuro é tudo o que eu preciso. Não quero ver o mundo lá fora, porque a luz dói, mas a solidão preenche. A luz vai arrancar de você sua essência. E logo vai insistir na sua mediocridade. Ao menos no quarto escuro e sozinho, eu sei que eu faço as minhas escolhas, eu sei o que me aguarda no dia de amanhã.


Eu não espero pela dama de branco, não espero pela centelha de luz, eu não espero pela morte, eu não espero pelo amor. Abdico de tudo isso. Mas a solidão, deixe que me acompanhe pelo resto dos meus dias.


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