Uma vez me disseram que
escolhemos os caminhos que seguimos. Acho que é o que todos querem acreditar.
Que nossa vida é uma escolha. Que tudo o que fazemos é moldado na nossa
vontade, no nosso desejo de seguir um caminho. Eu vivo no limbo, e posso lhe garantir
que nem tudo é só vontade. Eu quis vir para cá, mas você não vai querer. Quando
uma mulher vestida de branco lhe oferece uma possibilidade, você não diz não.
Ou pelo menos eu não disse.
Ela me prometeu que eu
viveria um tempo em um labirinto e pediu para eu seguir em frente. “Siga em
frente.” Na primeira noite, você quer seguir em frente. Mas o labirinto é só
uma sala escura. Não tem caminhos para você seguir, só uma saída para
encontrar. Dei voltas na sala. Nada. Desisti da sanidade na primeira semana.
Quando você começa a girar em torno de si mesmo, você tem a consciência do que
é ser o mundo. E você desaba. Desaba ao perceber que aquela sala não te exime
de culpa, nem de nenhum problema. De fato, você entrou sozinho numa sala
escura.
Siga em frente. Que
jeito mais simples de não dizer nada. Eu segui em frente, por mais que meus pés
cheios de bolha me implorassem para parar. A dor dos calcanhares roxos me pedia
para respirar um tempo, mas eu só queria seguir em frente. Sair de uma sala
escura não é tão fácil como parece. Não é só seguir em frente.
Eu penso na solidão
como uma bacia de água e acho que as pessoas são como esponjas. Quanto mais
buracos [mais feridas] nós temos, mais água [mais solidão] cabe dentro de nós. E eu apertei minha esponja
mergulhada na bacia. Eu me permiti inundar de solidão. É melhor assim. Seguir
em frente já não era mais um consolo mesmo. Era melhor aceitar que a solidão
imperasse dentro de mim.
Dois tipos de pessoa
vão entrar neste labirinto que eu entrei. Os otimistas vão ver uma sala escura,
pensar em seguir em frente e procurar por uma mínima centelha de luz. Eu não.
Já desisti desta ilusão faz tempo. Uma vez que você aceita a solidão dentro de
si, você passa a entender a cegueira. E quando você desiste de encontrar a luz,
é assim que você encontra a saída deste labirinto. Só que agora não faz mais
sentido sair daqui. O quarto escuro é tudo o que eu preciso. Não quero ver o
mundo lá fora, porque a luz dói, mas a solidão preenche. A luz vai arrancar de
você sua essência. E logo vai insistir na sua mediocridade. Ao menos no quarto
escuro e sozinho, eu sei que eu faço as minhas escolhas, eu sei o que me
aguarda no dia de amanhã.
Eu não espero pela dama
de branco, não espero pela centelha de luz, eu não espero pela morte, eu não
espero pelo amor. Abdico de tudo isso. Mas a solidão, deixe que me acompanhe
pelo resto dos meus dias.

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