Eu acho que iria encarar o último dia de vida como mais uma lição do destino. Eu acho. Não tenho certeza, porque não tenho certeza de muita coisa. Mas me pergunto como deve ser a sensação de saber que o amanhã não irá chegar. Me parece assustador ao primeiro momento. Mas pensando bem, é também um estado de extrema liberdade. Uma liberdade que pode ser confundida com um veneno para a alma, eu diria. Um passe livre para impulsos e futilidades. Não haveria mais preocupações. Não haveria mais prazos, quer dizer, apenas um prazo. O ditado "Não deixe pra amanhã o que você pode fazer hoje" seria mais convincente do que nunca.
Todos sabemos que vamos morrer um dia. Mas a maioria não sabe que pode morrer amanhã. E se eu soubesse que vou morrer amanhã, isso me faria reconhecer o quão insignificante é uma vida. O quão frágil de fato é. Estranho precisar estar tão próximo da morte pra reconhecer sua própria capacidade de morrer. Ainda que a vida após a morte exista. Ainda que a reincarnação exista. Nenhuma das duas satisfaz o propósito que um cético procura na vida. Apesar de não ser ligado a nenhuma religião em especial, eu realmente espero que exista algo para além. É como a minha última esperança. Não do meu ceticismo ou ideais, mas da minha saudade. O que eu gostaria de fazer no meu último dia é me preparar, da maneira que for, pra conseguir morrer acreditando que há algo ou alguém me esperando do outro lado. Pra que tudo isso faça algum sentido. Ou não faça. Porque ainda não faz ou deixa de fazer.

Nenhum comentário:
Postar um comentário