Andei pelas ruas com as
mãos nos bolsos, cabelos ao vento e sorriso no rosto. Desejava que mais dias
como aquele viessem - dias em que o riso é mais frequente do que a careta
séria, em que só me preocupo com o momento que terei de acordar desse sonho
chamado viver.
Mas sabia que, quando
chegasse em casa, gritos nada satisfeitos ecoariam em meus ouvidos. Um lembrete
dos meus pais de que eu não estava me tornando nada do que haviam planejado.
Queria - quero - mais
dias de liberdade. Queria mais desses dias em que sinto que nada pode me
abalar, nada tem força o suficiente para me puxar para baixo.
No entanto, tudo o que
recebo são reprovações, e conselhos que apenas me desmotivam. Não importa o
quanto eu tente, o quanto eu me esforce... No fim, acabo sendo convencida de
que o meu destino é o mesmo que o deles.
Estou fadada à cometer os
mesmos erros, e acertar nos mesmos pontos. Irei me iludir com felicidades
temporárias, e em algum ponto da vida me sentirei frustrada com a carreira que
decidi seguir. Vou me sentir arrependida de muitas coisas, e vou querer voltar
no tempo; exatamente como sei que meus pais se sentem agora. E vou dar os mesmo
conselhos aos meus filhos, pois a única coisa que aprendi na vida foi seguir os
passos de meus pais.
Porque não importa quanto
tempo passe, ou o quanto erremos, e aprendemos - ou nos iludimos, achando que
aprendemos. Continuamos seguindo seus passos, continuamos insistindo nos mesmos
erros, e vendo histórias se repetir.
Não importa.
Continuamos a viver exatamente como nossos pais.
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