sexta-feira, 1 de maio de 2015

Você me atirou no olho de um furacão


Então você já sabia de tudo? Sabia e não fez questão de me contar? Então todas as noites, todos os dias, todos os momentos, você sabia tudo o que se passava pela minha cabeça? Se você sabia do que eu sentia, a grande questão é, por que você deixou acontecer? Você sabia que eu estava ali, prontinho para amar você e então você o quê? Planejou? Ou foi sem querer? Sinceramente. Não sei no que acreditar.

Não há escapatória. Você minimamente sabia. O que significa que em cada movimento, em cada suspiro, em cada sorriso, em cada sussurro, em cada dança, você sabia. E quando eu me esforcei para não deixar aparecer que eu estava apaixonado, você já sabia. Realmente, qual o sentido disso tudo? Lutar contra essa verdade é uma morte enfadonha. Não posso me salvar de nada disso.

Você me atirou no olho de um furacão. Você me jogou num evento de magnitude estratosférica, sem direito a escolha. Você me ofereceu uma estória pronta e me escolheu como o tolo protagonista. Eu nunca pedi para fazer parte disso. Então tudo o que aconteceu era uma mentira? Sinto o tornado girar em torno de mim e arrancar pedaços de todos os meus cantos.

Eu tinha pouco planejado pra nós dois. Mas o pouco que eu tinha incluía surpresas, carinho, um mar de rosas e todo o mês de maio para ficarmos sós. Eu, você e um mês inteiro repleto de tudo o que eu ia te dar. É verdade, eu lhe daria rosas e chamaria para um filme romântico. Eu lhe diria que foi bom estar na sua companhia. Eu lhe acolheria debaixo dos meus braços e deixaria você pensar que eu sou um cavalheiro de prata. Eu seria cortês como nunca e esperaria pela sua permissão. Faríamos coisas loucas, como atravessar a rua sem olhar o sinal, como dançar na 28 de setembro, como comemorar ano novo na Estrada dos Três Rios. Levaria você para passear e, quando terminassem os passeios, lhe diria o quão especial você é para mim. E então, quem sabe, um dia, estaríamos na Barão do Bom Retiro e você tocaria meus lábios com os seus e então nossa estória teria chegado a erupção.

Ao invés disso, você fez do meu sonho uma catástrofe natural. Implodiu o que me restava de esperança e jogou uma pedra nos meus planos. Você manipulou toda a verdade. Como eu posso saber agora se o nosso “bom dia” foi sincero ou se você já tinha planejado que eu lhe dissesse isso há muito tempo atrás? O que eu fiz por vontade própria? O que foi imposto? Deves me ver como um canalha previsível, mas garanto, com todas as letras que ainda me sobraram depois deste desastre, sou um canalha infeliz.


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