Uma noite de sono bem
dormida, Leonardo realmente estava precisando. Uma pena que a notícia da doença
tivesse vindo tão de repente. De uma em uma noite, ele fez sete noites em
depressão.
Mensagens não paravam
de chegar no Whatsapp. Seu assistente Mário não sabia se virar sem ordens.
Léo finalmente
conseguiu reunir forças para se levantar e espiar o quarto ao lado do seu.
Estava vazio como sempre, exceto o frigobar. O frigobar estava sempre ali. Ele
entrou e se certificou de que o conteúdo do frigobar permanecia ali, intacto. A
única coisa com que ele se preocupava, mas que jamais poderia mostrar a ninguém.
“Repugnante” havia dito
sua antiga empregada, Elizete, que no dia seguinte ao limpar o quarto que não
devia, foi demitida e sofreu um atentado misterioso na Penha, onde morava com
sua família. Infelizmente, para Leonardo, a empregada ainda estava viva, e guardava
um segredo horrível a seu respeito.
Leonardo se arrumou,
apanhou sua pasta de carteiro e seguiu para sua jornada de trabalho.
As contas da gravadora
haviam enlouquecido. A gravadora de Leonardo seguia rumo à falência. Ele precisava
divulgar alguém famoso. Pensou em lançar um novo CD para Ludmilla, mas não
aprovava o funk.
Já no final do dia
fatídico, Mário se aprumou para a sala do chefe:
- Sr. Leonardo?
- O que você quer,
infeliz?
- O senhor está bem?
- Não. Nem um pouco.
Mais alguma coisa?
- É que eu combinei de
sair com a minha esposa e...
- Nem pensar! Você não
vai sair mais cedo.
- Mas é nosso
aniversário de casamento...
- Parabéns. Agora volte
ao trabalho, por favor.
Mário deixou a sala do
chefe, cabisbaixo. Pouco depois, Leonardo ouviu o interfone tocar, e percebeu
que alguém estava subindo para a sala de Mário. Os dois ficaram discutindo por
um bom tempo. Era a mulher dele.
Leonardo ouviu enquanto
a mulher xingava o chefe de Mário de vários nomes desconhecidos:
- Esse seu chefe não
tem coração! Um merda, mal-amado...
- Calma, querida.
Não, Leonardo não
poderia permitir que assuntos pessoais invadissem o local de trabalho. Ainda
mais com ele sendo insultado daquele jeito. A vadiazinha teria que ir embora,
ou ele demitiria Mário.
Enquanto girava a
maçaneta da porta do assistente, percebeu que, apesar de anos trabalhando com
ele, Leonardo nunca havia conhecido a esposa de Mário.
Quando abriu aporta, ali estava ela. A esposa de
Mário, e também sua ex-namorada, a que um dia havia sido o amor de sua vida.
Clara.
- Dr. Leonardo... Eu
posso explicar.
- Clara?

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