domingo, 26 de abril de 2015

Metáforas de sexta à noite

Acho que encontrei minha metáfora. Minha vida se tornou o meu próprio conto de fadas, e foi logo se tornar aquele que eu menos gostava e que, particularmente, eu nunca entendi. Até agora.

Aconteceu há cerca de uma semana, foi o melhor dia da minha vida. Aquele dia definiria os rumos da minha vida de uma forma ou de outra. Eu poderia sair daquele dia cheio de amor ou de mágoas, repleto de agonia ou esperança. Eu poderia derramar um choro compulsivo ou não deixar escorrer uma gota de lágrima sequer. Seria o mar ou a seca.

E então, eis que ela surge. Dentre tudo e todos. Surge com seu sorriso, com seus olhos, com sua boca e com seu olhar. Lógico que a resposta para todos os meus problemas seria uma garota, eu só não sabia que seria aquela garota. Colei nela e entreguei meu coração de bandeja, deixei que ela tomasse conta de todas as minhas ações. Desde o meu piscar de olhos até o meu suar de mãos, tudo estava aos serviços dela.

Foi assim até começar a música. Lógico que tinha que ter música. Sem música, não haveria história. E dançamos. Dançamos sem ligar para nada. Não posso apontar outro momento da minha vida em que eu tenha sido tão feliz. Demoramos para entender como dançar. Exigiu alguns minutos de tentativa, uns rodopios improvisados, alguns movimentos repetitivos até que a dança deixasse de ser pensada e eu pudesse me concentrar em pensar somente nela.

Viu bem, caro leitor? Não precisava de carruagem de abóbora, feitiços, magia, madrasta e fada madrinha...  Tudo aconteceu como eu nunca esperei, e foi um conto de fadas perfeito. Minha Cinderela mais linda, mais doce, mais meiga, mais extrovertida, mais perfeita, mais real.

“E o sapato de cristal?” você me pergunta. O sapato é a minha metáfora. É a parte que eu nunca entendi. Eis que então todas as questões fazem sentido, tão logicamente que parecem intrínsecas a minha vida. Quando chegou a nossa meia noite, ela partiu fugida e eu fiquei na noite, largado, remoendo lembranças daquela dança. São essas lembranças o meu sapato de cristal. De cristal porque são lembranças únicas e bastante frágeis, se não forem cuidadas com zelo. Zelo que eu tenho diariamente.

Pronto. Eis o sentido. A pergunta que eu sempre me fazia: “será que não existem duas mulheres que calçam o mesmo número?” A resposta é não. Porque as memórias que ficaram daquele dia não irão calçar jamais em nenhuma outra garota deste mundo. Precisa ser a minha Cinderela para calçar com maestria o sapato de cristal que eu guardo para nós dois. E quando ela calçar ‒ quando vivermos novamente um momento como aquele‒ então eu espero que sejamos felizes para sempre.


Assim sendo, guardo o nosso sapato de cristal muito bem guardado, para que ninguém nesse mundo o destrua, para que nenhuma outra mulher calce esta peça rara. Os momentos que vivemos naquela noite são só nossos e eu os guardo para que, quando nos encontrarmos novamente, possamos dar um final digno a essa história de amor. No fim das contas, ser o príncipe encantado é mais difícil do que parece. Espero que ela tenha guardado o outro pé do sapato também, pois o meu está muito bem guardado esperando um “felizes para sempre”.  


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