Acho que encontrei
minha metáfora. Minha vida se tornou o meu próprio conto de fadas, e foi logo
se tornar aquele que eu menos gostava e que, particularmente, eu nunca entendi.
Até agora.
Aconteceu há cerca de
uma semana, foi o melhor dia da minha vida. Aquele dia definiria os rumos da
minha vida de uma forma ou de outra. Eu poderia sair daquele dia cheio de amor
ou de mágoas, repleto de agonia ou esperança. Eu poderia derramar um choro
compulsivo ou não deixar escorrer uma gota de lágrima sequer. Seria o mar ou a
seca.
E então, eis que ela
surge. Dentre tudo e todos. Surge com seu sorriso, com seus olhos, com sua boca
e com seu olhar. Lógico que a resposta para todos os meus problemas seria uma
garota, eu só não sabia que seria aquela garota. Colei nela e entreguei meu
coração de bandeja, deixei que ela tomasse conta de todas as minhas ações.
Desde o meu piscar de olhos até o meu suar de mãos, tudo estava aos serviços
dela.
Foi assim até começar a
música. Lógico que tinha que ter música. Sem música, não haveria história. E
dançamos. Dançamos sem ligar para nada. Não posso apontar outro momento da
minha vida em que eu tenha sido tão feliz. Demoramos para entender como dançar.
Exigiu alguns minutos de tentativa, uns rodopios improvisados, alguns
movimentos repetitivos até que a dança deixasse de ser pensada e eu pudesse me
concentrar em pensar somente nela.
Viu bem, caro leitor?
Não precisava de carruagem de abóbora, feitiços, magia, madrasta e fada
madrinha... Tudo aconteceu como eu nunca
esperei, e foi um conto de fadas perfeito. Minha Cinderela mais linda, mais
doce, mais meiga, mais extrovertida, mais perfeita, mais real.
“E o sapato de cristal?”
você me pergunta. O sapato é a minha metáfora. É a parte que eu nunca entendi.
Eis que então todas as questões fazem sentido, tão logicamente que parecem intrínsecas a minha vida. Quando chegou a nossa meia noite, ela partiu fugida e
eu fiquei na noite, largado, remoendo lembranças daquela dança. São essas
lembranças o meu sapato de cristal. De cristal porque são lembranças únicas e
bastante frágeis, se não forem cuidadas com zelo. Zelo que eu tenho
diariamente.
Pronto. Eis o sentido.
A pergunta que eu sempre me fazia: “será que não existem duas mulheres que
calçam o mesmo número?” A resposta é não. Porque as memórias que ficaram
daquele dia não irão calçar jamais em nenhuma outra garota deste mundo. Precisa
ser a minha Cinderela para calçar com maestria o sapato de cristal que eu
guardo para nós dois. E quando ela calçar ‒ quando vivermos novamente um
momento como aquele‒ então eu espero que sejamos felizes para sempre.
Assim sendo, guardo o
nosso sapato de cristal muito bem guardado, para que ninguém nesse mundo o
destrua, para que nenhuma outra mulher calce esta peça rara. Os momentos que
vivemos naquela noite são só nossos e eu os guardo para que, quando nos encontrarmos
novamente, possamos dar um final digno a essa história de amor. No fim das
contas, ser o príncipe encantado é mais difícil do que parece. Espero que ela
tenha guardado o outro pé do sapato também, pois o meu está muito bem guardado
esperando um “felizes para sempre”.

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