quinta-feira, 21 de maio de 2015

A Sinfonia das borboletas

Nem acredito que seria hoje à noite. Parece que foi ontem que distribuíram os panfletos comentando quando seria o baile. Eu havia demorado mais de duas horas escolhendo o vestido com minha amiga, pra na hora parecer uma princesa.
Não sei se estou devidamente vestido pra vê-la. E ao mesmo tempo espero que ela não ligue tanto pra esse tipo de coisa, porque eu não ligo. Ainda que eu tenha demorado um bom tempo tentando adivinhar quais são as cores preferidas dela, eu acabei desistindo e escolhendo uma roupa que me agrada. Não quero agrada-la apenas por agradar. Como se fosse artificial. Como se tudo pudesse ser planejado. Não pode. Ela está muito além da minha compreensão.
Já estava pronta para ir para o baile. Vestido longo e pomposo verde-água com um pouco de lantejoulas. Uma tiara linda e brilhante presa em meu cabelo encaracolado que batia na cintura. A maquiagem feita pela minha tia (maquiadora profissional) estava linda e me fazia parecer uma princesa. Meu pai já estava esperando lá embaixo para me levar, mas uma coisa ainda me dava frio na barriga. Ele. O, possivelmente, meu príncipe. Eu, estava esperando ter a chance de dançar com o Ricardo, mas minhas esperanças... Agora só restava saber se ele gostaria de dançar comigo.
Passei muitos dias me questionando sobre o porquê de estar fazendo isso. Eu não gosto tanto assim de bailes. E eu deveria estar, antes de tudo, estudando pro vestibular e pras provas finais. Então seu rosto surge na minha cabeça. E esse é o momento em que o sentimento de saber que vou estar no mesmo lugar que a Ana me preenche e me convence instantaneamente a deixar todo o resto de lado. Esse frio na barriga me perseguiu por todo o caminho.
Meu pai me levou e o longo caminho até a escola me deixava só mais nervosa. Imaginava a cena perfeita, ele lá, me esperando para a dança. A música certa. Tudo pronto para uma noite perfeita, mas aí vinha o medo e desfazia por completo meu conto de fadas.
É estranho dizer que fiquei andando pelo lugar procurando por ela? Porque ainda que eu não conseguisse tomar coragem de chama-la pra dançar comigo, eu poderia apreciar seus encantos a distância como tenho feito nos últimos meses. E assim que nossos olhares se cruzaram meu corpo gelou como a própria morte. O que essa garota tem de diferente pra me deixar assim? Torço pra que não seja realmente possível morrer de amor.
Paramos em frente à escola. Como era possível? Meu coração estava a mil por hora. Minha cabeça explodindo de pensamentos, meus olhos brilhavam e minha respiração estava ofegante. Como isso era possível? Por que estava me sentindo assim por um garoto que vim esse tempo todo somente observando? Por quê? A minha pergunta mais frequente no momento.
Será que ela iria sair correndo ou recusar se eu a convidasse pra dançar? Eu só preciso de uma música. Alguns minutos de sintonia entre nós dois já compensariam todas as vezes em quê pensei em ir falar com ela e não consegui. Como a música está muito alta por aqui, eu teria que me aproximar demais pra ela conseguir me ouvir. E se ela fizer o mesmo? Qual será a sensação de ouvir a voz dela sendo dirigida a mim de tão perto? Eu tenho arrepios só de tentar imaginar.
Entrei no salão com o coração na boca. Não sabia direito o porquê de tal nervosismo, além de tudo, já faz um mês que estou assim, com essas imaginações, talvez, e muito provavelmente, absurdas. Assim que pus o pé no salão, a minha música favorita, e a que sempre imaginava, começou a tocar. A Thousand Years, era "a música". Não o enxerguei no meio da multidão, mas assim que me virei pude ver seu rosto que se ressaltou entre os outros. Ele vinha na minha direção, pelo menos era o que eu achava. Meu coração não parava, até um momento que deu um pico e parou. Ele estava muito perto. Mas não sei se ia falar comigo, muito menos se ia me pedir uma dança. Estava entregue na mão do destino.
Eu não consigo convencer a mim mesmo de que essa coragem é real. Pode ser apenas uma vontade incontrolável de estar perto dela. Não sinto também que tenho necessidade de testa-la. Acho que tudo se resume a essa sensação de estar andando até ela. A sensação de estar deixando de lado dúvidas em busca de algo real. Minha querida Ana, eu estou completamente disposto a fazer dessa noite algo diferente pra nós dois.


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Não sei se estou devidamente vestido pra vê-la. E ao mesmo tempo espero que ela não ligue tanto pra esse tipo de coisa, porque eu não ligo. Ainda que eu tenha demorado um bom tempo tentando adivinhar quais são as cores preferidas dela, eu acabei desistindo e escolhendo uma roupa que me agrada. Não quero agrada-la apenas por agradar. Como se fosse artificial. Como se tudo pudesse ser planejado. Não pode. Ela está muito além da minha compreensão.
Passei muitos dias me questionando sobre o porquê de estar fazendo isso. Eu não gosto tanto assim de bailes. E eu deveria estar, antes de tudo, estudando pro vestibular e pras provas finais. Então seu rosto surge na minha cabeça. E esse é o momento em que o sentimento de saber que vou estar no mesmo lugar que a Ana me preenche e me convence instantaneamente a deixar todo o resto de lado. Esse frio na barriga me perseguiu por todo o caminho.
É estranho dizer que fiquei andando pelo lugar procurando por ela? Porque ainda que eu não conseguisse tomar coragem de chama-la pra dançar comigo, eu poderia apreciar seus encantos a distância como tenho feito nos últimos meses. E assim que nossos olhares se cruzaram meu corpo gelou como a própria morte. O que essa garota tem de diferente pra me deixar assim? Torço pra que não seja realmente possível morrer de amor.
Será que ela iria sair correndo ou recusar se eu a convidasse pra dançar? Eu só preciso de uma música. Alguns minutos de sintonia entre nós dois já compensariam todas as vezes em quê pensei em ir falar com ela e não consegui. Como a música está muito alta por aqui, eu teria que me aproximar demais pra conseguir me ouvir. E se ela fizer o mesmo? Qual será a sensação de ouvir a voz dela sendo dirigida a mim de tão perto? Eu tenho arrepios só de tentar imaginar.


Eu não consigo convencer a mim mesmo de que essa coragem é real. Pode ser apenas uma vontade incontrolável de estar perto dela. Não sinto também que tenho necessidade de testa-la. Acho que tudo se resume a essa sensação de estar andando até ela. A sensação de estar deixando de lado dúvidas em busca de algo real. Minha querida Ana, eu estou completamente disposto a fazer dessa noite algo diferente pra nós dois.


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