Nem acredito que seria hoje à noite. Parece que foi ontem que distribuíram
os panfletos comentando quando seria o baile. Eu havia demorado mais de duas
horas escolhendo o vestido com minha amiga, pra na hora parecer uma princesa.
Não sei se estou devidamente vestido pra vê-la. E ao mesmo tempo espero
que ela não ligue tanto pra esse tipo de coisa, porque eu não ligo. Ainda que
eu tenha demorado um bom tempo tentando adivinhar quais são as cores preferidas
dela, eu acabei desistindo e escolhendo uma roupa que me agrada. Não quero
agrada-la apenas por agradar. Como se fosse artificial. Como se tudo pudesse
ser planejado. Não pode. Ela está muito além da minha compreensão.
Já estava pronta para ir para o baile. Vestido longo e pomposo
verde-água com um pouco de lantejoulas. Uma tiara linda e brilhante presa em
meu cabelo encaracolado que batia na cintura. A maquiagem feita pela minha tia
(maquiadora profissional) estava linda e me fazia parecer uma princesa. Meu pai
já estava esperando lá embaixo para me levar, mas uma coisa ainda me dava frio
na barriga. Ele. O, possivelmente, meu príncipe. Eu, estava esperando ter a
chance de dançar com o Ricardo, mas minhas esperanças... Agora só restava saber
se ele gostaria de dançar comigo.
Passei muitos dias me questionando sobre o porquê de estar fazendo isso.
Eu não gosto tanto assim de bailes. E eu deveria estar, antes de tudo,
estudando pro vestibular e pras provas finais. Então seu rosto surge na minha
cabeça. E esse é o momento em que o sentimento de saber que vou estar no mesmo
lugar que a Ana me preenche e me convence instantaneamente a deixar todo o
resto de lado. Esse frio na barriga me perseguiu por todo o caminho.
Meu pai me levou e o longo caminho até a escola me deixava só mais
nervosa. Imaginava a cena perfeita, ele lá, me esperando para a dança. A música
certa. Tudo pronto para uma noite perfeita, mas aí vinha o medo e desfazia por
completo meu conto de fadas.
É estranho dizer que fiquei andando pelo lugar procurando por ela?
Porque ainda que eu não conseguisse tomar coragem de chama-la pra dançar
comigo, eu poderia apreciar seus encantos a distância como tenho feito nos
últimos meses. E assim que nossos olhares se cruzaram meu corpo gelou como a
própria morte. O que essa garota tem de diferente pra me deixar assim? Torço
pra que não seja realmente possível morrer de amor.
Paramos em frente à escola. Como era possível? Meu coração estava a mil
por hora. Minha cabeça explodindo de pensamentos, meus olhos brilhavam e minha
respiração estava ofegante. Como isso era possível? Por que estava me sentindo
assim por um garoto que vim esse tempo todo somente observando? Por quê? A
minha pergunta mais frequente no momento.
Será que ela iria sair correndo ou recusar se eu a convidasse pra
dançar? Eu só preciso de uma música. Alguns minutos de sintonia entre nós dois
já compensariam todas as vezes em quê pensei em ir falar com ela e não
consegui. Como a música está muito alta por aqui, eu teria que me aproximar
demais pra ela conseguir me ouvir. E se ela fizer o mesmo? Qual será a sensação
de ouvir a voz dela sendo dirigida a mim de tão perto? Eu tenho arrepios só de
tentar imaginar.
Entrei no salão com o coração na boca. Não sabia direito o porquê de tal
nervosismo, além de tudo, já faz um mês que estou assim, com essas imaginações,
talvez, e muito provavelmente, absurdas. Assim que pus o pé no salão, a minha
música favorita, e a que sempre imaginava, começou a tocar. A Thousand Years,
era "a música". Não o enxerguei no meio da multidão, mas assim que me
virei pude ver seu rosto que se ressaltou entre os outros. Ele vinha na minha
direção, pelo menos era o que eu achava. Meu coração não parava, até um momento
que deu um pico e parou. Ele estava muito perto. Mas não sei se ia falar
comigo, muito menos se ia me pedir uma dança. Estava entregue na mão do
destino.
Eu não consigo convencer a mim mesmo de que essa coragem é real. Pode
ser apenas uma vontade incontrolável de estar perto dela. Não sinto também que
tenho necessidade de testa-la. Acho que tudo se resume a essa sensação de estar
andando até ela. A sensação de estar deixando de lado dúvidas em busca de algo
real. Minha querida Ana, eu estou completamente disposto a fazer dessa noite
algo diferente pra nós dois.
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Não sei se estou devidamente vestido pra vê-la. E ao mesmo tempo espero
que ela não ligue tanto pra esse tipo de coisa, porque eu não ligo. Ainda que
eu tenha demorado um bom tempo tentando adivinhar quais são as cores preferidas
dela, eu acabei desistindo e escolhendo uma roupa que me agrada. Não quero
agrada-la apenas por agradar. Como se fosse artificial. Como se tudo pudesse
ser planejado. Não pode. Ela está muito além da minha compreensão.
Passei muitos dias me questionando sobre o porquê de estar fazendo isso.
Eu não gosto tanto assim de bailes. E eu deveria estar, antes de tudo,
estudando pro vestibular e pras provas finais. Então seu rosto surge na minha
cabeça. E esse é o momento em que o sentimento de saber que vou estar no mesmo
lugar que a Ana me preenche e me convence instantaneamente a deixar todo o
resto de lado. Esse frio na barriga me perseguiu por todo o caminho.
É estranho dizer que fiquei andando pelo lugar procurando por ela?
Porque ainda que eu não conseguisse tomar coragem de chama-la pra dançar
comigo, eu poderia apreciar seus encantos a distância como tenho feito nos
últimos meses. E assim que nossos olhares se cruzaram meu corpo gelou como a
própria morte. O que essa garota tem de diferente pra me deixar assim? Torço
pra que não seja realmente possível morrer de amor.
Será que ela iria sair correndo ou recusar se eu a convidasse pra
dançar? Eu só preciso de uma música. Alguns minutos de sintonia entre nós dois
já compensariam todas as vezes em quê pensei em ir falar com ela e não
consegui. Como a música está muito alta por aqui, eu teria que me aproximar
demais pra conseguir me ouvir. E se ela fizer o mesmo? Qual será a sensação de
ouvir a voz dela sendo dirigida a mim de tão perto? Eu tenho arrepios só de
tentar imaginar.
Eu não consigo convencer a mim mesmo de que essa coragem é real. Pode
ser apenas uma vontade incontrolável de estar perto dela. Não sinto também que
tenho necessidade de testa-la. Acho que tudo se resume a essa sensação de estar
andando até ela. A sensação de estar deixando de lado dúvidas em busca de algo
real. Minha querida Ana, eu estou completamente disposto a fazer dessa noite
algo diferente pra nós dois.

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