Quando Leonardo acordou
ele estava desnorteado, e a primeira coisa que fez foi perguntar quanto tempo
tinha ficado em coma induzido.
- Leo, você precisa
ficar calmo...
- O que houve? –
Perguntou Leonardo já inteiramente são de suas funções.
- Você teve outro ataque cardíaco, está
internado aqui no hospital há cinco dias, os médicos disseram que sua
expectativa de vida pode ter caído em 30% mas precisam de mais exames pra ter
certeza.
- Ótimo, era só o que
me faltava.
-Já era hora senhor...
– Disse Mário em tom sarcástico ao entrar na sala acompanhado de um médico.
Aparentemente, Leonardo demorou mais do que ele pensou pra recobrar
completamente os seus sentidos.
- Você se lembra do que
aconteceu? – Perguntou Clara enquanto o médico me examinava e media alguns
níveis.
- Um pouco, me lembro
de ter encontrado Mário na rua e começar a falar com ele e... – Tudo se
esclareceu na mente de Leonardo em um flash, um turbilhão de emoções variando
entre a angústia e fúrias tomaram conta dele por um instante e depois tudo se
transformou em amargura e arrependimento. – Eu... Como está Amanda?
- Amanda está muito
bem, não graças ao senhor, após seu pequeno ataque ela teve uma pequena crise e
precisou sofrer uma intervenção, mas já estabilizou.
- Intervenção que foi
paga com meu dinheiro eu suponho – Respondeu secamente.
- Mário, me deixa
conversar com o Leo, eu sei que ele não fez de propósito... – Disse clara.
-Tá bom.
Assim que Mário saiu
tentei me levantar, mas logo percebi que estava amarrado a maca por correias
nas mãos.
- Você teve algumas
noites agitadas ultimamente. – Disse o médico
-Pode me desamarrar,
por favor?
-Pra você fugir de
novo? Não muito obrigada. Antes você aí parado na cama resmungando de tudo e
sendo grosso com todos do quê morto em alguma rua da cidade. – Exclamou Clara.
Após isso, um silêncio
extenuante reinou no quarto até que o médico levasse Leo pra uma interminável
bateria de exames que apenas comprovou o que tinha sido especulado. Uma semana
depois, Leonardo se encontrava a caminho da sua empresa sem saber o que fazer
com a sua vida, seu trabalho, Clara e principalmente Mário. Apesar de Clara
visitá-lo às vezes no hospital, eles nunca conversavam e o silêncio sempre
imperava no quarto, ele sabia que ela provavelmente passará noites a fio
rezando por Amanda e por ele por causa de sua natureza religiosa, e isso era
comprovado em suas olheiras e suspiros cansados, mas ela nunca falava nada em
suas idas ao quarto de Leo que ficava um andar acima do de Amanda,
possivelmente pela sua condição de assegurado.
Ao entrar no prédio da
gravadora, Leonardo percebeu que se encontrava em ótimo estado, Mário havia
cuidado do lugar mesmo após a evidente raiva que sentia do patrão após o
ocorrido.
- Preciso pensar no que
fazer com meus últimos momentos – Disse Leonardo pensando em voz alta.
- Acho que o senhor
deveria viajar. – disse Elizete, a ex-empregada.
- O que você faz aqui?
– Perguntou Leonardo
- Vim dizer o que tinha
que ter dito aquela noite, o senhor está muito debilitado e eu sei como é estar
entre a vida e a morte, eu só quero te ajudar seu Leonardo.
- Todos dizem a mesma
coisa, um deles me deu uma paulada na cabeça.
- Desculpe por aquilo,
o senhor estava fora de si.
- Minha empresa está
falindo, diferente de você eu estou morrendo rapidamente e não aguento fazer
exercícios por mais de 20 minutos, pois provavelmente enfartaria você não sabe
de nada. Se quisesse realmente me ajudar, teria me deixado cheirar a coca até
morrer de vez!
Capítulo 6 Capítulo 8
Capítulo 6 Capítulo 8

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