terça-feira, 19 de maio de 2015

Pulso Fatal: Capítulo 7


Quando Leonardo acordou ele estava desnorteado, e a primeira coisa que fez foi perguntar quanto tempo tinha ficado em coma induzido. 
- Leo, você precisa ficar calmo...
- O que houve? – Perguntou Leonardo já inteiramente são de suas funções.
 - Você teve outro ataque cardíaco, está internado aqui no hospital há cinco dias, os médicos disseram que sua expectativa de vida pode ter caído em 30% mas precisam de mais exames pra ter certeza. 
- Ótimo, era só o que me faltava. 
-Já era hora senhor... – Disse Mário em tom sarcástico ao entrar na sala acompanhado de um médico. Aparentemente, Leonardo demorou mais do que ele pensou pra recobrar completamente os seus sentidos.
- Você se lembra do que aconteceu? – Perguntou Clara enquanto o médico me examinava e media alguns níveis.
- Um pouco, me lembro de ter encontrado Mário na rua e começar a falar com ele e... – Tudo se esclareceu na mente de Leonardo em um flash, um turbilhão de emoções variando entre a angústia e fúrias tomaram conta dele por um instante e depois tudo se transformou em amargura e arrependimento. – Eu... Como está Amanda?
- Amanda está muito bem, não graças ao senhor, após seu pequeno ataque ela teve uma pequena crise e precisou sofrer uma intervenção, mas já estabilizou. 
- Intervenção que foi paga com meu dinheiro eu suponho – Respondeu secamente. 
- Mário, me deixa conversar com o Leo, eu sei que ele não fez de propósito... – Disse clara.
-Tá bom.
Assim que Mário saiu tentei me levantar, mas logo percebi que estava amarrado a maca por correias nas mãos.
- Você teve algumas noites agitadas ultimamente. – Disse o médico
-Pode me desamarrar, por favor?
-Pra você fugir de novo? Não muito obrigada. Antes você aí parado na cama resmungando de tudo e sendo grosso com todos do quê morto em alguma rua da cidade. – Exclamou Clara.
Após isso, um silêncio extenuante reinou no quarto até que o médico levasse Leo pra uma interminável bateria de exames que apenas comprovou o que tinha sido especulado. Uma semana depois, Leonardo se encontrava a caminho da sua empresa sem saber o que fazer com a sua vida, seu trabalho, Clara e principalmente Mário. Apesar de Clara visitá-lo às vezes no hospital, eles nunca conversavam e o silêncio sempre imperava no quarto, ele sabia que ela provavelmente passará noites a fio rezando por Amanda e por ele por causa de sua natureza religiosa, e isso era comprovado em suas olheiras e suspiros cansados, mas ela nunca falava nada em suas idas ao quarto de Leo que ficava um andar acima do de Amanda, possivelmente pela sua condição de assegurado.
Ao entrar no prédio da gravadora, Leonardo percebeu que se encontrava em ótimo estado, Mário havia cuidado do lugar mesmo após a evidente raiva que sentia do patrão após o ocorrido.
- Preciso pensar no que fazer com meus últimos momentos – Disse Leonardo pensando em voz alta.
- Acho que o senhor deveria viajar. – disse Elizete, a ex-empregada.
- O que você faz aqui? – Perguntou Leonardo
- Vim dizer o que tinha que ter dito aquela noite, o senhor está muito debilitado e eu sei como é estar entre a vida e a morte, eu só quero te ajudar seu Leonardo.
- Todos dizem a mesma coisa, um deles me deu uma paulada na cabeça.
- Desculpe por aquilo, o senhor estava fora de si. 

- Minha empresa está falindo, diferente de você eu estou morrendo rapidamente e não aguento fazer exercícios por mais de 20 minutos, pois provavelmente enfartaria você não sabe de nada. Se quisesse realmente me ajudar, teria me deixado cheirar a coca até morrer de vez!  

Capítulo 6                                                                                                         Capítulo 8

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