Há quem olhe para mim e
veja algo além de pó. Mas a verdade é que só me restam cacos, poeira e fuligem.
Sou filho de Marte, filho da guerra, de uma guerra que até então travei comigo
mesmo. Fui eu quem deu o primeiro tiro e também o último. O sangue que escorre
nos campos de batalha, fui eu quem plantou. Existe um ponto na vida, onde todas
as coisas que importam somem, onde só o desespero habita, e daí surge a nossa
guerra interior.
Devemos estar abertos
para o mundo. Manter a porta fechada é fechar-se para novas oportunidades. Eu
me tranquei num quarto escuro e lá fiquei. Amei os meus demônios por mais tempo
do que deveria e então vivi o ódio que me estava destinado. Espalhei todo o caos
que havia dentro de mim nas vidas daqueles que me importavam. E tudo isso por
quê?
Fui criado para amar e
me destruir. Afiei a faca que dilacera meu busto. Amei e amei como fui criado
para amar. Um amor de guerra, de luta e de desespero. Um amor moldado para ser
urgente, para ser vivo, para ser insano. E então quando os homens declarassem
paz, eu seria um cão sem dono, um lobo faminto desesperado em um mundo vazio.
Mês a mês minha
insignificância suplica. Anseia por um amor que enfim seja real. E que se
demore mais do que um campo de batalha e que resista às frontes e aos tanques.
Nasci da guerra para ver tribos perecerem, mas não o amor, porque este nada
mata.


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