terça-feira, 3 de março de 2015

Era Outra Vez: Os 3 Porquinhos

Num apartamento qualquer de um prédio sem importância, vivia Dona Inês e seus três filhos, todos já maiores de idade na faixa dos vinte anos.
O mais velho era Pedro. Pedro estava noivo com o casamento marcado e pronto, mas sua futura esposa se recusava a deixar o barraco na favela onde vivia com os pais. Cecília, sua noiva, o convencia a fazer tudo do jeito que ela queria. Seu próximo passo era arrastá-lo para morar na casa dos pais dela junto com ela.
O filho do meio era Henrique. Ele não se preocupava muito com nada. Trabalhava em um quiosque na praia e passava o dia todo e todo dia lá. Dona Inês sempre desconfiara do filho preguiçoso ganhar tão bem no quiosque. Ela nem desconfiava que seu pequeno porquinho mantinha uma relação com o dono do quiosque: um coroa carente, casado e rico.
Seu filho mais novo era César. Ele ainda estava terminando a faculdade, mas era o mais preparado para vida. Sempre foi o mais responsável dos três. César tinha conhecido uma chinesa por quem se encantou e estava de mudança para o país oriental onde viveria feliz para sempre.
Para a aflição de Dona Inês, haveria um dia em que ela ficaria sozinha. Ao constatar isso, ela fez de tudo para evitar que os filhos saíssem de casa. Dona Inês disse que o mundo era perigoso, cheio de “lobos”, mas nada disso impediu que eles fossem embora.
O primeiro a sair foi Pedro. Foi morar com os sogros e a noiva. Dia e noite os sogros vigiavam o casal e a esposa sempre tomava partido dos pais.
- Porta do quarto aberta! – gritava a sogra da sala
- Porque está chegando tão tarde? – indagava o sogro
 Pedro não aguentou muito tempo. Um dia, pegou um antigo revólver do sogro que foi militar no exército e cometeu suicídio no play do prédio com um repentino sopro da bala.
O segundo a deixar a casa da mãe foi Henrique. Despreocupado, ele viu tudo o que precisava na praia. Dormiria na areia e comeria no quiosque. Suas necessidades seriam feitas no mar. Foi isso que ele disse a mãe, mas, na verdade, ele ficaria em uma pequena cabana de madeira na parte mais deserta da praia onde seu patrão iria fazer umas visitinhas e deixar tudo o que ele precisava. Porém, num forte sopro do mar, as ondas derrubaram a frágil cabana de Henrique enquanto ele dormia levando o garoto pra o reino de Netuno.
O último a sair de casa foi César. Sua chinesinha o estava esperando “toda solidente, né?” Entretanto, o leitãozinho, tão novo ainda, não passou nem da rua do aeroporto. Um carro passou voando pela rua e levou a vida do garoto num sopro.
Quando deram por si, o sopro da morte havia levado os dois irmãos para a casa. A moradia ideal será o Céu onde nunca lhes faltará nada.

Lá embaixo, no mundo dos vivos, dona Inês se lamentava todos os dias pelo que aconteceu a sua família, mas, por incrível que pareça, os três irmãos estavam finalmente felizes com a moradia.


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