‒ A gente não devia
estar aqui! ‒ sussurrou Claire quando entrava no galpão escuro. Will seguia bem
atrás dela empurrando a menina para a escuridão.
‒ Você quer ou não quer
descobrir quem está por trás dos desaparecimentos?
Claire e Will seguiam pelo
hall abandonado. O silêncio predominava e ecoava nos ouvidos. Desde a última
semana, mais de quatro garotas haviam sumido sem pista alguma. Finalmente, a
primeira pista brotará na noite anterior. A jovem garota atendente da
biblioteca estadual tinha sido sequestrada após uma festa. Alguns alegaram que
ela tinha sido levada por um fantasma de Anita Oderheim, uma poderosa mulher da
cidade que morrera há cerca de três anos.
O galpão seguia vazio,
mais vazio do que se possa imaginar. Não havia sinal nem ao menos de insetos,
aranhas e baratas. O que nem sempre é um bom sinal. Talvez as pequenas
criaturas também tivessem medo do que se escondia ali dentro. Claire se segurou
no braço de Will e caminhou debruçada em seu ombro. Ouviu-se um barulho.
‒ Você ouviu isso? ‒
perguntou a garota assustada.
‒ Não deve ser nada,
vamos. Precisamos checar os fundos antes de irmos embora.
Will tropeçou em algo
no chão e tentou se levantar. Claire olhou para os lados, apavorada, mal vendo
a hora de sair daquele lugar pavoroso. Assim que o garoto se levantou, uma
figura fantasmagórica surgiu em sua frente. Era o fantasma de uma mulher
gorducha e de cabelos desgrenhados, com rugas na testa e um nariz arrebitado.
Anita Oderheim.
‒ Fora daqui, seus
desgraçados! Esta é a minha cidade e não vou permitir que a escória perambule
por aqui. ‒ gritou a mulher com sua voz aguda e estridente.
*
* *
A Máquina de Mistérios estacionou naquela nova cidade. Os detetives
particulares mais destrambelhados haviam chegado para resolver mais um mistério.
Do lado de fora da prefeitura, o Sr. Demerok aguardava os garotos para uma
reunião. A combi parou e dela saíram duas garotas, dois garotos e um cão
dinamarquês de pelo castanho escuro.
‒ Ah, Mistério S.A.! Mais que honra é
recebê-los aqui na nossa cidade. Vamos, vamos, entrem. Aqui fora não é seguro
para conversar. ‒ disse o prefeito repleto de felicidade.
Para uma prefeitura, o
prédio estava absurdamente vazio. Não havia funcionários em nenhum canto e nem
pessoas exigindo falar com o prefeito. Assim que entraram no escritório
principal, quatro cadeiras já estavam dispostas a frente da mesa.
‒ Ah, meus garotos...
Não sei nem por onde começar. Essa cidade está sendo vítima de um problema
terrível. ‒ começou Sr. Demerok.
‒ De que tipo de
problema estamos falando, prefeito? ‒ perguntou o líder do grupo. Era um rapaz
forte, cabelos loiros penteados de uma forma bem particular e o icônico lenço
alaranjado bem preso ao forte pescoço.
‒ Bem, meu querido
Fred... Estamos em ano de eleições para prefeito. Como de costume, estarei
concorrendo à reeleição e minha oposição... Bem, digamos que se trata de um
sujeitinho estranho.
‒ Oliver Lenice, o dono
do maior armazém da cidade. ‒ bradou uma das garotas. Era baixinha, meio
atarracada, usava uns óculos com lentes retangulares, mas tinha uma cara
redonda e cheia de sardas. A garota vestia um pulôver laranja-claro e uma saia
vermelha que ia até pouco acima do joelho.
‒ Perfeito senhorita Velma!
Este mesmo. Vejo que já fez suas pesquisas... Posso admitir que já ouviu falar
também da história por trás do assassinato de Anita Oderheim.
‒ Assassinato!? ‒
gritaram juntos o outro garoto e o cão dinamarquês. O menino era uma figura bem
estranha. Usava uma camisa verde meio encardida e uma barba malfeita que
deixavam uma barbixa bem proeminente. O magrelo, Salsicha, estava bem
assustado. Já o cachorro era um lindo animal, seu pelo era de um castanho bem
bonito e tinha algumas manchas de pelo preto também. Usava uma coleira azul com
as iniciais SD. Por alguma razão além da lógica mundana, o cachorro falava e se
apavorava bem como nós.
‒ Anita era um dos
principais apoios que eu tinha na minha candidatura. Era uma mulher poderosa
até que apareceu morta, há três anos, e um dos principais suspeitos era justamente
Oliver Lenice.
‒ Mas por que ele mataria
uma mulher com o poder de Anita? ‒ perguntou a última figura da sala. Logo se
via que a garota era diferente de todos os outros da sala. Em seu vestido
lilás, via-se logo que era uma menina lindíssima. Seus cabelos bem ruivos caiam
pelo seu ombro e se enroscavam em um lenço verde limão. Diferente daquele grupo
de deslocados, Daphne era uma miss,
admirava-se que ela pudesse se envolver em investigações criminais.
‒ Existe um grupo de
moradores que acha que pode fazer uma revolução. Oliver é um deles. A morte de
Anita foi um desastre para a cidade inteira, mas nossa prefeitura com certeza
sentiu ainda mais as dores desta perda.
‒ E qual exatamente
seria o nosso trabalho? ‒ perguntou Daphne.
‒ Eu gostaria de saber
se existe algo de podre na candidatura de Oliver. Quero saber se a cidade
estaria segura em suas mãos. Uma preocupação normal de um apaixonado por esta
cidade.
‒ Certo então. ‒
concordou Fred.
‒ Bem, agora que temos
um acordo, acho que já podemos fazer uma refeição. Mandei meus cozinheiros
prepararem um leitão ao molho de maracujá!
‒ Leitão? ‒ perguntou o
famoso Scooby-Doo
‒ Molho de maracujá?‒
completou seu amigo, Salsicha.
Os dois amigos partiram
correndo para a porta do escritório. Já sentiam o cheiro da comida de muito
longe. Correram na direção do cheiro. Assim que tentavam passar pela porta, uma
figura surgiu e os dois pararam. Bem devagar, olharam da cintura até os pés da
figura, quando perceberam que os pés não tocavam o chão. Um fantasma.
‒ A escória não pode
ficar nesta cidade. Eles têm de pagar. Pagar!!!
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