segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Os passos do fantasma: Prólogo


‒ A gente não devia estar aqui! ‒ sussurrou Claire quando entrava no galpão escuro. Will seguia bem atrás dela empurrando a menina para a escuridão.
‒ Você quer ou não quer descobrir quem está por trás dos desaparecimentos?
Claire e Will seguiam pelo hall abandonado. O silêncio predominava e ecoava nos ouvidos. Desde a última semana, mais de quatro garotas haviam sumido sem pista alguma. Finalmente, a primeira pista brotará na noite anterior. A jovem garota atendente da biblioteca estadual tinha sido sequestrada após uma festa. Alguns alegaram que ela tinha sido levada por um fantasma de Anita Oderheim, uma poderosa mulher da cidade que morrera há cerca de três anos.
O galpão seguia vazio, mais vazio do que se possa imaginar. Não havia sinal nem ao menos de insetos, aranhas e baratas. O que nem sempre é um bom sinal. Talvez as pequenas criaturas também tivessem medo do que se escondia ali dentro. Claire se segurou no braço de Will e caminhou debruçada em seu ombro. Ouviu-se um barulho.
‒ Você ouviu isso? ‒ perguntou a garota assustada.
‒ Não deve ser nada, vamos. Precisamos checar os fundos antes de irmos embora.
Will tropeçou em algo no chão e tentou se levantar. Claire olhou para os lados, apavorada, mal vendo a hora de sair daquele lugar pavoroso. Assim que o garoto se levantou, uma figura fantasmagórica surgiu em sua frente. Era o fantasma de uma mulher gorducha e de cabelos desgrenhados, com rugas na testa e um nariz arrebitado. Anita Oderheim.
‒ Fora daqui, seus desgraçados! Esta é a minha cidade e não vou permitir que a escória perambule por aqui. ‒ gritou a mulher com sua voz aguda e estridente.
* * *
A Máquina de Mistérios estacionou naquela nova cidade. Os detetives particulares mais destrambelhados haviam chegado para resolver mais um mistério. Do lado de fora da prefeitura, o Sr. Demerok aguardava os garotos para uma reunião. A combi parou e dela saíram duas garotas, dois garotos e um cão dinamarquês de pelo castanho escuro.
‒ Ah, Mistério S.A.! Mais que honra é recebê-los aqui na nossa cidade. Vamos, vamos, entrem. Aqui fora não é seguro para conversar. ‒ disse o prefeito repleto de felicidade.
Para uma prefeitura, o prédio estava absurdamente vazio. Não havia funcionários em nenhum canto e nem pessoas exigindo falar com o prefeito. Assim que entraram no escritório principal, quatro cadeiras já estavam dispostas a frente da mesa.
‒ Ah, meus garotos... Não sei nem por onde começar. Essa cidade está sendo vítima de um problema terrível. ‒ começou Sr. Demerok.
‒ De que tipo de problema estamos falando, prefeito? ‒ perguntou o líder do grupo. Era um rapaz forte, cabelos loiros penteados de uma forma bem particular e o icônico lenço alaranjado bem preso ao forte pescoço.
‒ Bem, meu querido Fred... Estamos em ano de eleições para prefeito. Como de costume, estarei concorrendo à reeleição e minha oposição... Bem, digamos que se trata de um sujeitinho estranho.
‒ Oliver Lenice, o dono do maior armazém da cidade. ‒ bradou uma das garotas. Era baixinha, meio atarracada, usava uns óculos com lentes retangulares, mas tinha uma cara redonda e cheia de sardas. A garota vestia um pulôver laranja-claro e uma saia vermelha que ia até pouco acima do joelho.
‒ Perfeito senhorita Velma! Este mesmo. Vejo que já fez suas pesquisas... Posso admitir que já ouviu falar também da história por trás do assassinato de Anita Oderheim.
‒ Assassinato!? ‒ gritaram juntos o outro garoto e o cão dinamarquês. O menino era uma figura bem estranha. Usava uma camisa verde meio encardida e uma barba malfeita que deixavam uma barbixa bem proeminente. O magrelo, Salsicha, estava bem assustado. Já o cachorro era um lindo animal, seu pelo era de um castanho bem bonito e tinha algumas manchas de pelo preto também. Usava uma coleira azul com as iniciais SD. Por alguma razão além da lógica mundana, o cachorro falava e se apavorava bem como nós.
‒ Anita era um dos principais apoios que eu tinha na minha candidatura. Era uma mulher poderosa até que apareceu morta, há três anos, e um dos principais suspeitos era justamente Oliver Lenice.
‒ Mas por que ele mataria uma mulher com o poder de Anita? ‒ perguntou a última figura da sala. Logo se via que a garota era diferente de todos os outros da sala. Em seu vestido lilás, via-se logo que era uma menina lindíssima. Seus cabelos bem ruivos caiam pelo seu ombro e se enroscavam em um lenço verde limão. Diferente daquele grupo de deslocados, Daphne era uma miss, admirava-se que ela pudesse se envolver em investigações criminais.
‒ Existe um grupo de moradores que acha que pode fazer uma revolução. Oliver é um deles. A morte de Anita foi um desastre para a cidade inteira, mas nossa prefeitura com certeza sentiu ainda mais as dores desta perda.
‒ E qual exatamente seria o nosso trabalho? ‒ perguntou Daphne.
‒ Eu gostaria de saber se existe algo de podre na candidatura de Oliver. Quero saber se a cidade estaria segura em suas mãos. Uma preocupação normal de um apaixonado por esta cidade.
‒ Certo então. ‒ concordou Fred.
‒ Bem, agora que temos um acordo, acho que já podemos fazer uma refeição. Mandei meus cozinheiros prepararem um leitão ao molho de maracujá!
‒ Leitão? ‒ perguntou o famoso Scooby-Doo
‒ Molho de maracujá?‒ completou seu amigo, Salsicha.
Os dois amigos partiram correndo para a porta do escritório. Já sentiam o cheiro da comida de muito longe. Correram na direção do cheiro. Assim que tentavam passar pela porta, uma figura surgiu e os dois pararam. Bem devagar, olharam da cintura até os pés da figura, quando perceberam que os pés não tocavam o chão. Um fantasma.
‒ A escória não pode ficar nesta cidade. Eles têm de pagar. Pagar!!!


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