sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Os passos do fantasma: Capítulo Quatro


‒ Essa é a casa de Anita Oderheim! ‒ anunciou Velma animada. ‒ Ou, pelo menos, era.
O estômago de Scooby roncava como um porco furioso. Estavam vasculhando a casa a mais de trinta minutos e não tinham encontrado nenhuma pista realmente relevante. Fred não parecia nada compenetrado e Salsicha estava quase dormindo em pé. O cão farejava por todos os cantos à procura, não de pistas, mas de algum biscoito que tivesse caído ou um pedaço de pão perdido. Porém a casa estava irritantemente arrumada.
‒ Acho que tenho um plano para capturar o fantasma. ‒ disse Fred, como costumava dizer.
‒ Capturar? ‒ Scooby tinha medo de fantasmas mais do que qualquer outra coisa.
‒ Captura-lo sim.
‒ Fred, meu bom homem, não dá pra pegar um fantasma de verdade. Ele vai evaporar vapt-vupt. ‒ Alegou Salsicha, o medo estampado no seu rosto.
‒ É o que veremos.
Fred e Velma passaram duas horas montando a armadilha. Quando Salsicha e Scooby despertassem a ira do fantasma de Anita Oderheim, sairiam correndo pelo corredor e passariam por uma cortina, colocada especialmente no final do caminho. Fred e Velma iriam empurrar as estantes de livros para trás da cortina e, quando o fantasma tentasse passar por elas, bateria de cara na estante sólida e cairia no chão. O plano era bastante simples, mas exigia um timing perfeito de todos os membros da equipe.
Quando tudo estava pronto, estava na hora de colocar tudo em prática. Scooby se recusou, em um primeiro momento, mas foi comprado por uma dúzia de deliciosos Biscoitos Scooby e acabou se rendendo ao plano de Fred. Amedrontado, o cão seguiu lado a lado de seu grande amigo Salsicha, que também tremia da cabeça aos pés. Começaram a andar pela casa chamando baixinho pelo fantasma, mas nada nem ninguém se mexia.
‒ Puxa Scooby, talvez o fantasma tenha dado no pé! ‒ Comemorou Salsicha.
‒ É, deu no pé. ‒ Concordou o fiel animal.
‒ Ele não aguentou com a nossa macheza. A gente é macho pra caramba!
‒ É isso aí, macho pra caramba!
Um barulho alto se ouviu em um dos quartos e os dois “machões” ficaram em estado de choque. Cada um correu para um lado e, quando perceberam, havia mais barulho do que nunca. Muitas vezes, Scooby gritava com os barulhos que ele mesmo fazia, e outras, com os barulhos que Salsicha fazia do outro lado. As luzes se apagaram em um estante e o medo começou a tomar conta do cão dinamarquês.
‒ Scooby-Doo, cadê você? ‒ Ele ouviu chamar. Era, logicamente, seu melhor amigo. Rapidamente, Scooby seguiu o grito de Salsicha e notou que estava bem ao seu lado.
Juntos e parados, ouviram mais barulhos e saíram correndo pela casa. Lembrando-se do plano, seguiram pelo corredor, que, escuro, era especialmente apavorante e correram sem olhar para trás. Um barulho alto veio detrás deles e logo perceberam que mais uma pessoa corria atrás. Tinha de ser o fantasma de Anita Oderheim. Salsicha passou primeiro pela cortina, no final do corredor e Scooby passou logo em seguida. Assim que estavam “a salvo”, Scooby pulou no colo de seu dono magrelo e, em sintonia, os dois tremeram por uma vida inteira.
Fred e Velma fecharam a passagem logo atrás e, quando o terceiro corredor passou, derrubou a estante no chão e caiu por cima dela. Quando viu o corpo deitado, Scooby logo se animou e pensou que o mistério estava completo. Desceu para o chão e caminhou devagar até a estante caída. Fred já estava bem do lado e Velma se abaixava do lado dele.
‒ Vamos ver agora quem é o fantasma de Anita Oderheim. ‒ Anunciou Velma satisfeita. Fred puxou uma lanterna de seu bolso e iluminou o corpo caído. Não havia fantasma algum. A pessoa que estava ali era uma garota, de pele pálida e um vestido lilás. Quando subiram a luz para o seu rosto, lindo e com um cabelo ruivo cobrindo os lábios, viram que o plano havia falhado.
‒ Daphne? ‒ Assustou-se Salsicha.

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