‒ Essa é a casa de
Anita Oderheim! ‒ anunciou Velma animada. ‒ Ou, pelo menos, era.
O estômago de Scooby
roncava como um porco furioso. Estavam vasculhando a casa a mais de trinta minutos
e não tinham encontrado nenhuma pista realmente relevante. Fred não parecia
nada compenetrado e Salsicha estava quase dormindo em pé. O cão farejava por
todos os cantos à procura, não de pistas, mas de algum biscoito que tivesse
caído ou um pedaço de pão perdido. Porém a casa estava irritantemente arrumada.
‒ Acho que tenho um
plano para capturar o fantasma. ‒ disse Fred, como costumava dizer.
‒ Capturar? ‒ Scooby tinha
medo de fantasmas mais do que qualquer outra coisa.
‒ Captura-lo sim.
‒ Fred, meu bom homem,
não dá pra pegar um fantasma de verdade. Ele vai evaporar vapt-vupt. ‒ Alegou Salsicha,
o medo estampado no seu rosto.
‒ É o que veremos.
Fred e Velma passaram
duas horas montando a armadilha. Quando Salsicha e Scooby despertassem a ira do
fantasma de Anita Oderheim, sairiam correndo pelo corredor e passariam por uma
cortina, colocada especialmente no final do caminho. Fred e Velma iriam empurrar
as estantes de livros para trás da cortina e, quando o fantasma tentasse passar
por elas, bateria de cara na estante sólida e cairia no chão. O plano era
bastante simples, mas exigia um timing perfeito de todos os membros da equipe.
Quando tudo estava
pronto, estava na hora de colocar tudo em prática. Scooby se recusou, em um
primeiro momento, mas foi comprado por uma dúzia de deliciosos Biscoitos Scooby e acabou se rendendo ao
plano de Fred. Amedrontado, o cão seguiu lado a lado de seu grande amigo Salsicha,
que também tremia da cabeça aos pés. Começaram a andar pela casa chamando
baixinho pelo fantasma, mas nada nem ninguém se mexia.
‒ Puxa Scooby, talvez o
fantasma tenha dado no pé! ‒ Comemorou Salsicha.
‒ É, deu no pé. ‒
Concordou o fiel animal.
‒ Ele não aguentou com
a nossa macheza. A gente é macho pra caramba!
‒ É isso aí, macho pra
caramba!
Um barulho alto se
ouviu em um dos quartos e os dois “machões” ficaram em estado de choque. Cada
um correu para um lado e, quando perceberam, havia mais barulho do que nunca.
Muitas vezes, Scooby gritava com os barulhos que ele mesmo fazia, e outras, com
os barulhos que Salsicha fazia do outro lado. As luzes se apagaram em um
estante e o medo começou a tomar conta do cão dinamarquês.
‒ Scooby-Doo, cadê
você? ‒ Ele ouviu chamar. Era, logicamente, seu melhor amigo. Rapidamente,
Scooby seguiu o grito de Salsicha e notou que estava bem ao seu lado.
Juntos e parados,
ouviram mais barulhos e saíram correndo pela casa. Lembrando-se do plano,
seguiram pelo corredor, que, escuro, era especialmente apavorante e correram
sem olhar para trás. Um barulho alto veio detrás deles e logo perceberam que
mais uma pessoa corria atrás. Tinha de ser o fantasma de Anita Oderheim. Salsicha
passou primeiro pela cortina, no final do corredor e Scooby passou logo em
seguida. Assim que estavam “a salvo”, Scooby pulou no colo de seu dono magrelo
e, em sintonia, os dois tremeram por uma vida inteira.
Fred e Velma fecharam a
passagem logo atrás e, quando o terceiro corredor passou, derrubou a estante no
chão e caiu por cima dela. Quando viu o corpo deitado, Scooby logo se animou e
pensou que o mistério estava completo. Desceu para o chão e caminhou devagar
até a estante caída. Fred já estava bem do lado e Velma se abaixava do lado
dele.
‒ Vamos ver agora quem
é o fantasma de Anita Oderheim. ‒ Anunciou Velma satisfeita. Fred puxou uma
lanterna de seu bolso e iluminou o corpo caído. Não havia fantasma algum. A
pessoa que estava ali era uma garota, de pele pálida e um vestido lilás. Quando
subiram a luz para o seu rosto, lindo e com um cabelo ruivo cobrindo os lábios,
viram que o plano havia falhado.
‒ Daphne? ‒
Assustou-se Salsicha.
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