Ele levantou da cama. O
rosto coberto de uma camada fina de suor. Sentou-se à beirada e apanhou sua
camisa no chão. Pôs-se de pé. Ela, deitada, conseguiu ver uma parte de sua
bunda branca se remexer conforme seus passos errantes. A garota apanhou seus óculos,
mas já era tarde e o pano da cueca já cobria as nádegas do seu amante. Ela
olhou com ternura para o homem com quem acabara de se relacionar. Lembrou-se de
momentos antes quando tinham conversado. Ele tinha sido tão cortês. Tantas
palavras bonitas foram ditas. Ninguém nunca dissera tantas palavras bonitas.
‒ Você já vai embora? ‒
Ela perguntou, cobrindo-se com o lençol dos pés até um pouco acima do seio.
‒ Sim. Eu preciso ir,
senão amanhã vou me atrasar para uma reunião importante. ‒ Ele disse, sem olhá-la
nos olhos. De repente, suas palavras soavam mais feias e sujas para ela.
‒ Mas eu pensei que
você e eu pudéssemos... Sei lá. Conversar um pouco?
Ele virou o rosto.
Havia tristeza em seus olhos. Arrependimento? Timidez? Ela baixou os olhos e
ele bufou em desistência. Sentou-se do lado dela e tomou suas mãos. Com
delicadeza, ele olhou para os dedos que o haviam arranhado há poucos minutos.
Dedos finos e pequenos. Ele sentiu arder um arranhão nas suas costas. A marca
de uma noite de prazer.
‒ Eu não sou esse tipo
de gente. Eu lamento. Você merece alguém para conversar depois do sexo. Mas eu
não posso fazer isso. ‒ Ele disse, e então se levantou e vestiu a calça.
‒ Isso não tem nada a
ver com a tal reunião não é? Não é por causa do seu trabalho. Me conta essa
história, por favor. Acho que eu tenho o direito de saber. ‒ Pediu ela, com o
mesmo olhar por cima dos óculos que o havia conquistado na penumbra do bar.
‒ Eu a amava. Eu disse
isso para ela. Levei flores, gritei no meio da rua. Eu fiz tudo o que eu podia
para falar para ela que eu a amava.‒ Ele começou a dizer. Olhou então para os
olhos da sua amante. Ela escutava com atenção. ‒ Então um dia ela me disse que
não tinha como acreditar em mim. Ela me disse que jamais seria capaz de
retribuir o meu amor. Disse que não ia arriscar viver ao meu lado, sabendo que
eu poderia machucá-la.
A garota olhou para o
homem. Suas palavras soavam bonitas como de costume. Ele tinha vontade de
chorar. Ela percebeu, é claro. As mãos que outrora arranharam, agora acariciavam
uma cabeça repleta de fios. Ele virou o rosto e sentiu que ela entendia. Tomou
uma de suas mãos e nela, deu um beijo.
‒ Eu não posso amar
ninguém mais. Não como eu a amei. Eu prometi a mim mesmo que só aceitaria o
amor em seu formato mínimo. Noites adoráveis como a que tive hoje ao seu lado.
Nada mais. ‒ Ele disse.
‒ E se por acaso eu
quiser outra noite adorável?
‒ Então vai ter que
procurar outra pessoa. Eu só poderia lhe satisfazer uma vez.
‒ Não é verdade. Volte
para cama e eu vou lhe mostrar. Me dê mais uma chance e não vai precisar catar
garotas em bares. Só porque ela não o quis, não quer dizer que eu também serei
assim. Uma chance é o mínimo que você pode me oferecer.
‒ ...
‒ Pode ir tirando a
calça.

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