Eu estava aqui, abaixo da lâmpada clara, atrás da janela, de frente às árvores.
Você estava ali, debaixo do céu cinza, atrás dos arbustos, de frente à casa.
Eu te achei ou foi você que me localizou? Eu pulei ou foi você que voo alçou?
Talvez os dois. Adoro a mutualidade. É singular e comum ao mesmo tempo.
Então você me pegou e eu agarrei-me a você com todas as forças que eu pude empregar. Você queria ir para o alto, o máximo que pudesse. Disse que amava ver as pessoas de cima, observar, estudar, se apaixonar e logo apresentou uma dissertação sobre como ver a vida de fora era interessante. Eu, por outro lado, decidi que a vida é mais fantástica quando é sua e quando você é dela e simplesmente respondi que tinha medo de altura.
Você pousou, eu não soltei, não soltaria nunca mais, caso pudesse, mas não pude. O paradisíaco e cheio de vida céu cinza era uma ilusão, tornou-se sem cor, morto, e caiu vindo ao nosso encontro. A lâmpada, do outro lado da janela, provou-se viva, sendo assim, morreu, pois é isso que os vivos fazem e é por isso que os vivos vivem, para morrer e nos deixar no escuro, para que encontremos uma nova luz.
Perguntei se você seria minha nova luz. Respondeu que não seria justo. A luz deveria morrer um dia. Como poderia você, um ser imortal, tomar tal lugar e tornar sua constância um incêndio aos olhos dos que podem morrer? Eu disse que valia o risco. Você riu e, com alguma mágica da indiferença, riscou um fósforo sob a chuva. As leis de nosso mundo sempre foram muito fixas para alguém tão volátil, volúvel, voraz.
Uma chama roxa bruxuleou dando vida ao incolor que nos cercava. Toda uma esfera de energia iluminou nosso caminho e você, encantada, foi facilmente persuadida. Você não precisa ser a pálida luz da janela de onde habito, sem graça, viva. Seja a luz roxa e inconstante que nos move, seja minha casa e minha alegria, seja minha morte. Tantas agora eram as palavras que eu dizia, mas por um tortuoso caminho te conduzia.
Você nunca pôde ser morte, antes não era vida, agora não seria sua mais marcante etapa. Ainda assim, você tentou, você tornou-se vida, mas não soube segui-la, pois compreendeu-a perfeitamente. Experiências passadas de um estado divino disseram-na o que deveria fazer e você fez, você amou, assim como eu amei. Desempenhou tão bem seu papel como viva, tão perfeita você era em qualquer plano, que acabou recebendo a maior condecoração desse estágio de privação espiritual.
Você morreu.
Agora não poderia ser mortal, não poderia ser imortal, sua vida se esvaiu e, com ela, a minha também se foi. O que sobrou foi a ausência de vida, foi a visão de cima, foi a imaterialidade, a observação, a total inexistência de interação. Entendi. Você que esteve viva o tempo todo. Queria apenas ensinar-me a viver também, mas, o que fez foi sugar-me a vida que não soube utilizar, e assim, viveu.
Eu agora não vivo. Eu agora não morro. Agora eu observo de cima, observo da frente, o que trouxe até agora. A janela se fecha, a luz apaga, a árvore cai, o céu ganha cor, a minha... não, a nossa cor. Tinge-se do mais belo azul e o grande Sábio banha a terra com sua visão de ainda mais acima. Ele nunca viveria, por isso os outros vivem. No chão, a terra esconde a capa de madeira do grande baú onde está meu coração e uma sombra acoberta a lápide suja da água incolor, lavada pela lama de cor. Era agora que o céu abria, os raios desciam à terra como flechas e lanças em uma guerra infinita em busca da resposta. E o céu caiu sobre nós, porém, nós não mais existíamos ali.
Você estava ali, debaixo do céu cinza, atrás dos arbustos, de frente à casa.
Eu te achei ou foi você que me localizou? Eu pulei ou foi você que voo alçou?
Talvez os dois. Adoro a mutualidade. É singular e comum ao mesmo tempo.
Então você me pegou e eu agarrei-me a você com todas as forças que eu pude empregar. Você queria ir para o alto, o máximo que pudesse. Disse que amava ver as pessoas de cima, observar, estudar, se apaixonar e logo apresentou uma dissertação sobre como ver a vida de fora era interessante. Eu, por outro lado, decidi que a vida é mais fantástica quando é sua e quando você é dela e simplesmente respondi que tinha medo de altura.
Você pousou, eu não soltei, não soltaria nunca mais, caso pudesse, mas não pude. O paradisíaco e cheio de vida céu cinza era uma ilusão, tornou-se sem cor, morto, e caiu vindo ao nosso encontro. A lâmpada, do outro lado da janela, provou-se viva, sendo assim, morreu, pois é isso que os vivos fazem e é por isso que os vivos vivem, para morrer e nos deixar no escuro, para que encontremos uma nova luz.
Perguntei se você seria minha nova luz. Respondeu que não seria justo. A luz deveria morrer um dia. Como poderia você, um ser imortal, tomar tal lugar e tornar sua constância um incêndio aos olhos dos que podem morrer? Eu disse que valia o risco. Você riu e, com alguma mágica da indiferença, riscou um fósforo sob a chuva. As leis de nosso mundo sempre foram muito fixas para alguém tão volátil, volúvel, voraz.
Uma chama roxa bruxuleou dando vida ao incolor que nos cercava. Toda uma esfera de energia iluminou nosso caminho e você, encantada, foi facilmente persuadida. Você não precisa ser a pálida luz da janela de onde habito, sem graça, viva. Seja a luz roxa e inconstante que nos move, seja minha casa e minha alegria, seja minha morte. Tantas agora eram as palavras que eu dizia, mas por um tortuoso caminho te conduzia.
Você nunca pôde ser morte, antes não era vida, agora não seria sua mais marcante etapa. Ainda assim, você tentou, você tornou-se vida, mas não soube segui-la, pois compreendeu-a perfeitamente. Experiências passadas de um estado divino disseram-na o que deveria fazer e você fez, você amou, assim como eu amei. Desempenhou tão bem seu papel como viva, tão perfeita você era em qualquer plano, que acabou recebendo a maior condecoração desse estágio de privação espiritual.
Você morreu.
Agora não poderia ser mortal, não poderia ser imortal, sua vida se esvaiu e, com ela, a minha também se foi. O que sobrou foi a ausência de vida, foi a visão de cima, foi a imaterialidade, a observação, a total inexistência de interação. Entendi. Você que esteve viva o tempo todo. Queria apenas ensinar-me a viver também, mas, o que fez foi sugar-me a vida que não soube utilizar, e assim, viveu.
Eu agora não vivo. Eu agora não morro. Agora eu observo de cima, observo da frente, o que trouxe até agora. A janela se fecha, a luz apaga, a árvore cai, o céu ganha cor, a minha... não, a nossa cor. Tinge-se do mais belo azul e o grande Sábio banha a terra com sua visão de ainda mais acima. Ele nunca viveria, por isso os outros vivem. No chão, a terra esconde a capa de madeira do grande baú onde está meu coração e uma sombra acoberta a lápide suja da água incolor, lavada pela lama de cor. Era agora que o céu abria, os raios desciam à terra como flechas e lanças em uma guerra infinita em busca da resposta. E o céu caiu sobre nós, porém, nós não mais existíamos ali.

Nenhum comentário:
Postar um comentário