Um sonho se assolou na
minha mente. Profundo como uma facada ardente. E alguma forma, doeu. Lembrei de
você falando sobre como isso ia acontecer. De como eu lembraria de você no
final de tudo isso. E eu realmente lembrei.
O quanto mais você estava certa afinal? Sonhar com você é contra minhas
regras, contra minha conduta. Desde o início eu te disse que seria apenas pelo
prazer. Apenas pelos prazeres quentes e carnais que a sua cama poderia me dar.
Então, de repente, veio
a saudade. Saudade do seu corpo lustroso se enroscando no meu. Saudade dos seus
lábios vermelhos por todo o meu corpo. Saudade da sua voz falhando no meu
ouvido em estampidos agudos e indizíveis. Saudade do meu corpo respondendo ao
seu em um ritmo perfeito. De alguma forma, eu soube que não teria isso em mais
nenhum lugar. Nenhum outro corpo encaixaria tão bem assim no meu.
Minha casca de
armadura, minha fortaleza de ferro, meu ego e meu orgulho. Te afastei para que
eu permanecesse forte como sempre, mas cada centímetro que caminho para longe
da nossa história, é uma facada a mais na minha espinha. Me acostumei a me
afastar do caminho das pessoas. Acostumei a fugir das histórias quando perdia o
controle de mim mesmo, mas pela primeira vez, perder o controle me pareceu uma
coisa boa, prazerosa e ardente. Talvez valha a pena perder tudo com você mais
uma vez.
O mundo se tornou mais
cinza. Mas o vermelho dos seus lábios eu me lembro bem. Ardente e lustroso,
quente como queimar-se em fogo vivo, perfeito como folhas caindo no outono,
como neve no inverno gélido. Me lembro de você com seu vestido branco, o por do
sol contrastando com a alvura da sua pele, mas teus lábios, vermelhos, faziam o
Sol parecer uma esfera gélida e disforme. O mundo derretia em volta do seu
sorriso caliente.
Um sonho se assolou na
minha mente. Uma imagem que dizia que seríamos felizes e que eu havia
finalmente encontrado um colo para voltar. Uma imagem incontestável de uma
felicidade que sempre pareceu impossível. E de repente, meu ego inflado e minha
arrogância pareceram uma brincadeira de criança. Este sonho, a minha puberdade
afetiva, me mostrava um novo caminho. Uma rota que terminava sempre naquele
mesmo pôr do sol, naquele mesmo momento, vívido na minha memória.
E de repente, vindo dos
meus sonhos mais profundos, surge a vontade irrefutável e incondicional de
correr pelo mundo atrás daquele pedacinho de você que deixei para trás. E aqui,
prometo que vou atrás de você. Lábios vermelhos, rosto corado... Prometo que
vou te ver de novo e de novo, mesmo que, por uma triste vontade do destino,
seja apenas nos meus sonhos mais profundos.

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