quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Anna Kendrick

Por um momento, eu a vi bem diante de meus olhos. Era Anna Kendrick, dos filmes e dos meus sonhos, e no outro segundo, uma garota qualquer. E como qualquer outra, tomava um ônibus para qualquer lugar. Demorei para aceitar que não fosse a verdadeira Anna. Minha cabeça preferia acreditar que o mundo poderia nos surpreender desta forma. Afinal, em que realidade eu e Anna Kendrick estaríamos esperando pelo mesmo ônibus num ponto vazio do Engenho Novo? Quais as probabilidades? Pois é... Assim, decidi que, daquele momento em diante, aquela garota seria mesmo A Anna Kendrick.

Aproximei-me e falei qualquer coisa. Não importa o assunto, o que importava era acreditar que eu e uma das atrizes mais lindas de Hollywood estávamos ali, numa quinta-feira, falando da vida. Ela sorria como Anna Kendrick. Num momento, ela disse que estava com calor e eu pensei, “Claro que está. Se é verão aqui, é inverno lá. O que significa que ontem, quando Anna estava nos Estados Unidos, ela usava um cachecol, e hoje, uma camiseta regata”. Passou um vendedor e comprei uma garrafa de água. Eu e Anna Kendrick bebemos da mesma garrafa. Ela fez uma cara de alívio e agradeceu.

Perguntou meu nome. Ora bolas, eu o disse. Quando me disse o seu, não ouvi direito, mas supus que tivesse ouvido “Anna Kendrick”. Sorri para ela. Elogiei seu nome. Elogiei seu sorriso. Disse que era como uma personagem de filmes. Ela sorriu e chegou até a rir. Sua gargalhada era entrecortada e calma, bem como Anna Kendrick riria. Subimos no ônibus e ‒ Coincidência! ‒ era o mesmo. Sentamo-nos juntos. Sim, Anna Kendrick e eu.

Pelo caminho, contei do meu dia, de como minha manhã tinha sido atarefada e de como eu estava ansioso para chegar em casa e por um bom filme para ver. Ela me disse que também estava cansada, e que talvez visse um filme. Perguntei que filme ela mais gostava e ela me disse “Amor Sem Escalas” um filme estrelado por... ‒ Adivinha? ‒ ANNA KENDRICK! Senti que devia ser um sinal. Talvez fosse mesmo a Anna Kendrick. Elogiei o elenco. Disse que gostava muito da atriz principal. Ela sorriu e disse que “ela é uma fofa”. Sorri e aceitei a modéstia da garota.

Quando Anna desceu do ônibus, me deu um beijo no rosto e foi seguir a sua vida atarefada. Quanto mais ela se afastava, mais certeza eu tinha de que acabara de conversar com Anna Kendrick. Coloquei um sorriso no rosto e segui em frente. A vida me aguardava, com ou sem Anna Kendrick.

A verdade é que não preciso desta resposta. Não preciso saber se era Anna Kendrick ou Maria da Silva. Não importa se foi sonho ou foi vivido. O que me importa é, por alguns minutos da minha vida, ter conhecido Anna Kendrick e ter falado com ela. Não lhe espero que acredite em nada que eu digo. Não espero que acredite que era realmente Anna a garota comigo. O que importa é o que eu acredito. Se eu escolhi acreditar em coisas maravilhosas como encontrar Anna Kendrick no ponto de ônibus; se eu escolho todos os dias acreditar em contos de fadas e amores verdadeiros; bem, pode soar loucura, mas é o que dá lógica aos meus dias.


Prefiro viver num mundo de finais felizes e Annas Kendricks no Engenho Novo.


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