Por um momento, eu a vi
bem diante de meus olhos. Era Anna Kendrick, dos filmes e dos meus sonhos, e no
outro segundo, uma garota qualquer. E como qualquer outra, tomava um ônibus
para qualquer lugar. Demorei para aceitar que não fosse a verdadeira Anna.
Minha cabeça preferia acreditar que o mundo poderia nos surpreender desta
forma. Afinal, em que realidade eu e Anna Kendrick estaríamos esperando pelo
mesmo ônibus num ponto vazio do Engenho Novo? Quais as probabilidades? Pois
é... Assim, decidi que, daquele momento em diante, aquela garota seria mesmo A
Anna Kendrick.
Aproximei-me e falei
qualquer coisa. Não importa o assunto, o que importava era acreditar que eu e
uma das atrizes mais lindas de Hollywood estávamos ali, numa quinta-feira,
falando da vida. Ela sorria como Anna Kendrick. Num momento, ela disse que
estava com calor e eu pensei, “Claro que está. Se é verão aqui, é inverno lá. O
que significa que ontem, quando Anna estava nos Estados Unidos, ela usava um
cachecol, e hoje, uma camiseta regata”. Passou um vendedor e comprei uma
garrafa de água. Eu e Anna Kendrick bebemos da mesma garrafa. Ela fez uma cara
de alívio e agradeceu.
Perguntou meu nome. Ora
bolas, eu o disse. Quando me disse o seu, não ouvi direito, mas supus que
tivesse ouvido “Anna Kendrick”. Sorri para ela. Elogiei seu nome. Elogiei seu
sorriso. Disse que era como uma personagem de filmes. Ela sorriu e chegou até a
rir. Sua gargalhada era entrecortada e calma, bem como Anna Kendrick riria. Subimos
no ônibus e ‒ Coincidência! ‒ era o mesmo. Sentamo-nos juntos. Sim, Anna
Kendrick e eu.
Pelo caminho, contei do
meu dia, de como minha manhã tinha sido atarefada e de como eu estava ansioso
para chegar em casa e por um bom filme para ver. Ela me disse que também estava
cansada, e que talvez visse um filme. Perguntei que filme ela mais gostava e
ela me disse “Amor Sem Escalas” um filme estrelado por... ‒ Adivinha? ‒ ANNA
KENDRICK! Senti que devia ser um sinal. Talvez fosse mesmo a Anna Kendrick. Elogiei
o elenco. Disse que gostava muito da atriz principal. Ela sorriu e disse que
“ela é uma fofa”. Sorri e aceitei a modéstia da garota.
Quando Anna desceu do
ônibus, me deu um beijo no rosto e foi seguir a sua vida atarefada. Quanto mais
ela se afastava, mais certeza eu tinha de que acabara de conversar com Anna
Kendrick. Coloquei um sorriso no rosto e segui em frente. A vida me aguardava,
com ou sem Anna Kendrick.
A verdade é que não
preciso desta resposta. Não preciso saber se era Anna Kendrick ou Maria da Silva.
Não importa se foi sonho ou foi vivido. O que me importa é, por alguns
minutos da minha vida, ter conhecido Anna Kendrick e ter falado com ela. Não
lhe espero que acredite em nada que eu digo. Não espero que acredite que era
realmente Anna a garota comigo. O que importa é o que eu acredito. Se eu
escolhi acreditar em coisas maravilhosas como encontrar Anna Kendrick no ponto
de ônibus; se eu escolho todos os dias acreditar em contos de fadas e amores
verdadeiros; bem, pode soar loucura, mas é o que dá lógica aos meus dias.
Prefiro viver num mundo
de finais felizes e Annas Kendricks no Engenho Novo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário