Sua luz culmina ao topo celeste. Encantadora distração, um pedido de encontro. Ele me chama.
Um brilho único em contraste com os que me observam ao longe quando dou as costas à pequena enormidade que cerco. Admiradores, todos eles. Não posso negar, os admiro. Queria poder me somar à essa energia pura da qual são feitos, a qual espalham. Há de haver paciência para tal.
Giro, rodopio. Rodopio mais centenas de vezes e giro novamente. Sinto certa queda, deve ser a dúvida que me consome ao regozijar-me da imagem do futuro que me aguarda.
Um dia me unirei ao brilho que me guia e juntos viajaremos perante nossos iguais em uma imensidão universal de beleza e seu harmonioso mar de caos.
Um dia me unirei ao brilho que me guia e juntos viajaremos perante nossos iguais em uma imensidão universal de beleza e seu harmonioso mar de caos.
Mas até lá, como ei de voar encoberto pelo manto que ata minhas asas à inutilidade?
Como ei de romper essa crosta que se fixa a mim dizendo-se proteção, porém só me acorrenta mais e mais à solidão que me encontro?
Como ei de romper essa crosta que se fixa a mim dizendo-se proteção, porém só me acorrenta mais e mais à solidão que me encontro?
Sozinho em ver-me cercado de gente. Eles vivem, eu não. Sim, enquanto viverem não me libertarei, pois tão frágeis são que a grandiosidade de minha fuga ladina tomaria suas ínfimas chamas de arbítrio para si, seu único e irrevogável direito.Seria o cruel bom?
Um leve tremor de ansiedade, a erupção da frustrada euforia, as lágrimas da incólume espera bastam, eles morrem.
Tentação não falta, mas ainda há esperança, essa, eles dizem, é a última a morrer. Irônico, ela morre ao final, que diferença faz? É questão de tempo, recurso do qual eu disponho, eles não.
Esses seres ainda hão de matar uns aos outros. Repito para mim mesmo que esse dia não tarda a chegar.
Prometo eternamente que à primeira brisa do fatídico dia em que o silêncio for a única música sobre a superfície da terra os céus a esmagarão, os mares se mostrarão secos como os seios das amas há muito falecidas, a casca abrirá e com um suspiro negro de alívio todo o universo terá o vislumbre das incandescentes asas da libertação que virão ao espaço.
A espera poderá ser eterna, a dor pode tentar-me a sucumbir ao desgosto, o cosmo pode lançar-me inúmeros empecilhos para meus sonhos, mas apenas a liberdade que alcançarei será infinita. Pois até mesmo o mais profundo, fulminante e impetuoso inferno há de a luz das estrelas um dia tragar.

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