IV
Kaleem
Fui abandonada pelos meus pais quando ainda era bebê. Não lembro deles; nem como eram ou o que faziam, muito menos sabia o motivo de terem me deixado. Meu mestre me adotou. Ele me deu o nome Kaleem. Meu mestre havia virado meu pai.
Meu pai morreu diante meus olhos.
Eu não pude fazer nada.
Não pude o defender, nem o ajudar, nem pegar seu corpo, nem fazer um funeral.
Tudo o que me restavam eram as lágrimas que transbordavam de mim, assim como as lembranças. Estou longe de virar uma Jedi, muito longe, havia muita coisa pra aprender.
Mas ainda podia ouvi-lo, às vezes conseguia até vê-lo. Era raro, mas ele ainda estava ali. Ele ainda iria me ajudar. A força ainda estava comigo, e eu não podia desistir. Não seria fraca. Lutarei até a morte.
Tudo vem acontecendo extremamente rápido desde que a ordem foi dada. Estávamos em total desvantagem, e ainda havia os clones. Não sei se era possível confiar neles. Nos defenderam, mas isso significa pouco perto de tudo o que está acontecendo. E se eles estiverem com um plano formado, esperando o melhor momento para nos matarem? Precisávamos confiar. Mestre Ikibu era competente e responsável, se ela confiava nos clones, então deveríamos fazer o mesmo.
Mas o que mais me preocupa é o Taifon. Somos nossos únicos apoios atualmente. Passamos muito tempo lutando e treinando juntos, já éramos muito próximos, agora estamos por nossa conta. Mas é difícil saber o que se passa na cabeça dele. Sempre foi. E isso me preocupa mais ainda, porque eu não sei do que ele é capaz de fazer. Ele teima de querer me proteger, acha que eu sou incapaz de sobreviver sozinha, mas quem está precisando de proteção é ele. Taifon sempre foi mais forte e mais experiente que eu, mas ele facilmente se perde em seus pensamentos. Isso é ruim. É fácil fazê-lo perder o controle.
Meus pensamentos foram cortados quando ouço barulhos altos e a nave começa a tremer. A república não recuaria tão cedo. Saí da sala onde estava e parei na porta para ver o que havia acontecido. Não sei quais foram os danos na nave (nem para onde estávamos indo), mas conseguiram a invadir. Não sabia onde os outros estavam, e nem como estavam, mas 5 clones me cercaram. Droga, deixei meu sabre de luz na sala.
Todos estavam apontando pra mim, mas não atiravam, como se estivessem esperando um mínimo movimento para me metralharem. Não me movi até ouvir outros barulhos vindo do corredor. Parece que Jolee e Taifon também haviam sido cercados. Os clones que apontavam suas armas pra mim viraram para ver o resto, e aproveitei para voltar para a sala. Alguns tiros foram bloqueados pela porta, mas ela não resistiria tantos. Peguei rapidamente meu sabre de luz, mas deu tempo o suficiente para eles entrarem. Ataquei de mais e defendi de menos. Dois clones foram cortados, mas conseguiram atirar em meu braço esquerdo. Soltei um urro de dor, mas a adrenalina subiu, o que conseguiu me fazer matar mais dois, mesmo com um braço só. Consegui correr um pouco para sair da sala e despistei o último clone. Minha visão começou a embaçar. Clones e mais clones surgiam. Minha força se esvaiu e eu já não tinha mais condições de lutar. Que morte estúpida.
Esperava o último tiro chegar, mas não chegou. Tento ao máximo abrir meus olhos, e vejo Taifon na minha frente. Um sorriso, mesmo que leve, abre instantaneamente em meu rosto.
‒ Parece que virou o salvador do grupo, não é?
Quando havia matado todos os clones, ele finalmente se virou pra mim. Não conseguia enxergar sua expressão, mas pude concluir que estava preocupado. Ele não costumava demonstrar muito seus sentimentos, mas acho que as coisas mudaram depois da morte de nosso mestre.
‒ Não temos muito tempo. Venha, Kaleem, segure-se em mim.
‒ Não temos tempo, Taifon. Não tenho tempo.
‒ Você não vai morrer aqui, nem agora. Não vou deixar acontecer o que aconteceu com o Mestre.
Minha cabeça caiu pro lado e meus olhos pesavam mais. Ouvi o barulho de um rasgo e senti meu braço sendo apertado por alguma coisa, acho que era um pedaço de roupa dele. As últimas coisas que percebi foi um beijo na testa, passos chegando mais perto e meu corpo sendo carregado.
"Fraca."
Meu último pensamento antes de desacordar. Menos um para lutar. Não sei o que poderia acontecer graças à minha incompetência. Que a força esteja com eles.

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