terça-feira, 24 de novembro de 2015

Episódio III - Butt

III
Butt

Eu tinha duas opções: seguir ordens e matar uma meia dúzia remanescente de jedis ou ajudar esses quatro que restaram a sobreviver. Eu fui criado para obedecer ordens, meu instinto me forçava a acreditar que eu tinha que matar esses garotos. Parte da minha mentalidade de clone me obrigava a pensar desse jeito. Então eu olhava nos olhos daqueles garotos, padawans. Os garotos pareciam saber do que eram feitos. A tal "Força" de que falavam era quase algo palpável quando falavam dela. Já eu, do que eu sou feito afinal? Confiei no meu capitão quando ele disse que deveríamos ajudá-los. Ainda não tenho certeza de como eu posso ajudar.
Façamos uma contagem. Somos seis sobreviventes. Três padawans que estão aprendendo a dominar a Força. Uma Mestre Jedi que dominava o sabre de luz. Um capitão clone, com muito mais experiência do que eu. Eu estava claramente sobrando nessa contagem. Talvez por isso eu tivesse tantas dúvidas. Sendo o mais frágil e dispensável da equipe, eu provavelmente seria o próximo a partir. A morte estava iminente. E então eles chegaram.
Duas aeronaves da República. Pelas contas do Capitão Ferket, vinte clones com armas e sangue nos olhos. Como eu poderia lutar contra meus irmãos? Todos nós obedecíamos ordens, todos fazíamos o que nos mandavam. Talvez eu seja tão culpado pela morte dos jedis quanto cada um deles. Vinte contra seis não é uma proporção muito positiva. Não tenho domínio dessa força, mas alguma coisa me dizia que a minha morte estava próxima. Algum instinto muito forte.
‒ Atenção, todos vocês!‒ Falou a Mestre Ikibu, preparando-se para nos mandar para uma guerra. ‒ Estes homens estão aqui para nos matar. Podem até ter sido comandados pela República, mas só irão puxar o gatilho se quiserem nos ver mortos. Precisamos chegar a uma das aeronaves deles. Se não conseguirmos chegar até lá, nosso destino será selado. Que a Força esteja convosco!
Lancei um olhar para meu Capitão e ele acenou em concordância. Isso significava que ele mataria se fosse preciso. Os padawans acionaram seus sabres. Essas armas são bem bonitas quando estão do seu lado. Lindas e letais. Peguei meu blaster e vesti meu capacete. Prometi que faria isso pela minha vida. Duvido muito que a República fosse me aceitar de braços abertos depois de eu ter ajudado aquele grupo.
Corri para trás de uma pedra bem a tempo de ver as aeronaves abrindo. Vinte clones vinham na nossa direção. Respirei fundo. Hora da minha escolha. Apertar o gatilho era inevitável, bastava saber para quem apontar: para padawans ou para guardas da República? Três segundos para escolher. Dois. Um. Quer saber? Dane-se a República.
Acertei o primeiro clone e senti dentro de mim algo se romper. Eu já não conseguia ver aqueles guardas como irmãos. Eram inimigos. Inimigos que eu mataria sem piedade.  O primeiro tiro denunciou a minha posição. Cinco clones correram na minha direção. A vantagem numérica deles era tão confortável que eles não se desesperavam. Usei meu desespero ao meu favor. Tiro. Tiro. Menos dois. Vi de longe meu capitão atirando na direção dos guardas. Rapidamente, ele fazia gestos para que os padawans avançassem. O cara era genial em estratégia de guerra. Não era capitão à toa.
Ainda três clones vinham na minha direção. Saltei para a esquerda atirei duas vezes. Mais dois guardas caiam mortos. Mas aonde estava o terceiro? Poderia ter ido por qualquer um dos lados da pedra. Talvez aparecesse nas minhas costas. Senti o pavor correr pela minha espinha. A sensação de que há um blaster apontado para a sua cabeça. Ouço um som e me viro, abraçando a morte. Ainda não era a minha vez. O guarda que apontava a arma para a minha cabeça jazia no chão, com a sua cabeça separada do pescoço. Olhei para o jovem Taifon.
‒ Obrigado, garoto! Salvou a minha vida.
O projeto de jedi saiu correndo na frente, desviando tiros com seu sabre de luz.  Aproveitei sua proteção e fui andando atrás dele. Na medida em que ele desviava tiros, eu devolvia as gentilezas, matando os guardas que atiravam. Já tinha matado nove na minha contagem. Ao que parecia, apenas dez ainda lutavam de pé.
‒ Butt, ‒gritou o capitão para mim. ‒ você e a Mestre Ikibu precisam segurar os últimos guardas. Eu vou entrar na nave com os caças. Preciso dar partida e desligar os sistemas de monitoramento.
Taifon passou na frente e a Mestre Ikibu cobriu minha guarda. Vi o Capitão Ferket passando com os padawans. Kaleem parecia estar chorando. A garota estava segurando uma barra pesada depois da morte do seu mestre. A Mestre Jedi lutava com bravura. Pela décima vez, eu atirei e matei um guarda. Então a décima primeira. Jolee gritava para que entrássemos na nave.
‒ Se entrarmos agora, os que restaram vão subir na outra nave e nos seguir. ‒ Eu disse para Ikibu. ‒ Precisamos matar todos.
A mestre avançou e decepou duas cabeças. Os seis que restavam corriam na direção dela. Atirei em mais dois. A Jedi correu na direção da segunda nave e os guardas seguiam ela. Mais dois tiros, mais dois caídos. Então um deles acertou um tiro.  Corri e acertei um tiro nele. Só um restava. O clone jogou a arma no chão e fez sinal de rendição.
‒ Butt, o que você está fazendo? Eles são jedis. A República mandou que matássemos eles. ‒ Disse o clone. Reconheci Edwin.
‒ A República não tem poder sobre mim, Ed. Você não consegue perceber que tem algo de errado no que eles estão fazendo?
‒ Você acha que está certo? Você matou seus irmãos. Isso é uma chacina de clones.
‒ Ótimo. Quer comparar com a chacina de jedis que está acontecendo em todos os cantos da Galáxia?
‒ Sabe que nossa ordem receberia você de braços abertos se você matasse esses padawans, não é? Ainda podemos nos salvar. Não deixe que eles decolem.
‒ Você está certo, Edwin. Eu ainda posso me salvar. Eles não podem.
Atirei no último clone e corri para a Mestre Ikibu. O tiro acertou sua mão esquerda. Nada demais. Nenhuma ferida comprometedora. Sua mão não seria recuperada sem cuidados médicos, mas pelo menos não morreria.  Segurei-a em meu ombro e caminhamos em meio a corpos de clones. Deixei a Mestre na nave e recolhi alguns blasters para levarmos. Não sei mais quantas guerras iremos travar, mas tinha certeza que aquela não seria a última.
 

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