Quem sabe um dia eu
escrevo uma canção ou roteiro pra você. Qualquer apanhado de palavras que
possam seguir como guias para essa sua superficial vida de mediocridade. Vá
molhar essa sua cara, passar soro nesse olho, derramar uma lágrima pura, digna
de um choro que dê em algo. Não adianta se fechar para o óbvio, ele é como as
ondas, constantes e presentes. Eles (aqueles que ninguém sabe ao certo quem ,
mas sabe que existem) dizem que é preciso seguir aquela linha ali da frente,
cortar teus pés com o aço que reveste a mesma, porém, continuar andando. Quem
sabe um dia eu tente escrever uma canção ou roteiro pra você. Posso tentar
afastar essas suas dúvidas, te fazer acreditar em algo novo do nosso presente
sujo por manchas de café da tarde de ontem.
Podemos pintar novos
quadros pra pôr nessa parede velha, talvez com cores mais quentes, que exalem
juventude rebelde, com muita música alta e gritos contagiantes.
Vamos. Podemos nos
levantar e ir caminhar nesse mato tortuoso de caminhos estranhos e galhos
quebrados, folhas caídas, flores nascendo, terra molhada, sapatos sujos,
sorrisos vacilantes. Quem sabe um dia eu tenha a aparência de alguém que possa
escrever uma canção ou roteiro pra você.
Endeusaremos algo ou alguém,
acreditaremos nessa coisa ou pessoa até que não conseguiremos acreditar em
nossas próprias vidas e existência, então descartaremos nosso achado.
Procuraremos algo, talvez você me procure e eu procure a ti, e não nos
acharemos, como nunca acontecerá. E a cada vez que nos perdermos, acharemos
mais. Acharemos dúvidas, revoltas, angústias, pressões, cinismos, fingimentos,
cartas falsas, vida lá fora. Dentro de nós mesmo é que não podemos ficar,
dentro de qualquer casulo que nos mostre segurança. Quem sabe um dia você
entenda que se encontrar é impossível e se perder é o caminho para o
impossível.
Quem sabe um dia eu
escrevo uma canção ou roteiro pra você. Quem sabe um dia você escreva uma
canção ou roteiro pra você.

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