Pela primeira vez,
foda-se. Que seja blasfêmia, então!
Não me interessa mais
tuas cartas, teus cabelos e tuas tristezas.
Não me interessa mais
tuas melancolias, tuas rimas e tuas labaredas.
O fogo já se esvairiu e reduziu
ao nada o nosso futuro. Reduziu ao nada um ingênuo e patético futuro que você
havia construído pra nós, sentado em seu trono de Medéia enquanto o apocalipse
caía sobre nossas cabeças, e o teu sol queimava e bradava gritos de fúria
incessantemente.
E você sabia que noite
nunca me amedrontou. Melhor seria, pensava eu, após algum rum ou whisky, ter
visto o caos cair pelas estrelas. Ter
visto nossos signos combinarem, e mergulharmos em um paraíso azul. Ao menos uma
vez que fosse, um barzinho e um violão, uma canção de dor e presentes babacas.
MAS NÃO! Escolhemos esse
rock melancólico, regado a gritos de “avant-garde” e beijos roubados.
Escolhemos a merda de escolher viver. Escolhemos a merda de se queimar. E bem
feito! Agora não somos nem o que éramos, nem o que achávamos que seríamos. Não
somos passado nem futuro. Somos cinzas. Somos nada.
E não me venha com papo
de Fênix. Não me faça renascer. Não me faça morrer. Não me faça chorar.
Quero que você vá embora.
Quero que você vá
para bem longe, onde eu possa te encontrar.

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