sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Amor destrambelhado


Pela primeira vez, foda-se. Que seja blasfêmia, então!

Não me interessa mais tuas cartas, teus cabelos e tuas tristezas.

Não me interessa mais tuas melancolias, tuas rimas e tuas labaredas.

O fogo já se esvairiu e reduziu ao nada o nosso futuro. Reduziu ao nada um ingênuo e patético futuro que você havia construído pra nós, sentado em seu trono de Medéia enquanto o apocalipse caía sobre nossas cabeças, e o teu sol queimava e bradava gritos de fúria incessantemente.

E você sabia que noite nunca me amedrontou. Melhor seria, pensava eu, após algum rum ou whisky, ter visto o caos cair pelas estrelas.  Ter visto nossos signos combinarem, e mergulharmos em um paraíso azul. Ao menos uma vez que fosse, um barzinho e um violão, uma canção de dor e presentes babacas.

MAS NÃO! Escolhemos esse rock melancólico, regado a gritos de “avant-garde” e beijos roubados. Escolhemos a merda de escolher viver. Escolhemos a merda de se queimar. E bem feito! Agora não somos nem o que éramos, nem o que achávamos que seríamos. Não somos passado nem futuro. Somos cinzas. Somos nada.

E não me venha com papo de Fênix. Não me faça renascer. Não me faça morrer. Não me faça chorar.

Quero que você vá embora.

Quero que você vá para bem longe, onde eu possa te encontrar.



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