Era um garoto, que como eu, não sabia escrever, então imitava todos os textos que já tinha ouvido falar. então decidiu entrar na escola pra aprender. comprou cadernos, escreveu em páginas, várias e de verdade. andou pelo corredor e encontrou uma menina, no meio do caminho, como se não houvesse parede pra encostar ou banco pra sentar, estava na cara que a garota decidira incomodar a vida dos transeuntes que passavam e que só queriam estudar. no outro dia decidiu ir por outro corredor, deu a volta na escola, mas descobriu que haveria de passar pelo mesmo corredor o qual a menina escolhera para infernizar a vida dos outros. colocou as mãos nos olhos e passou olhando para o chão, talvez se visse apenas os pés das pessoas, nunca encontraria os dela, pois haviam muitos pés naquele corredor e o garoto nem conhecia os pés da atazanadora de vidas. deu mais algumas passadas, captou mais alguns sons e não se permitiu olhar para olhares ou rostos. E chegou aos pés da garota. Para seu azar, eram inconfundíveis, exalavam amargura e ódio, sujos de chateação. Não se prendeu por muito tempo na visão dos pés da infratora, dirigiu-se a a própria sala para dedicar-se aos estudos e não as permissões de chateações.
Mais uma vez, estava a garota lá. Mas o que ela estava fazendo ali? Aquela era a sua sala. Pensou em mais uma vez mudar seu curso para não cruzar com a infelizarda colega, mas ao invés disso, ficou atraído por seus olhos. Os olhos acinzentados eram hipnóticos. parecia uma morta-viva. Concerteza se fosse uma, seria a mais cobiçada do cemitério. Enquanto encarava seus olhos, ela lhe disse que ele a tinha enganado. Enganado? Impossível. Nem a conhecia. Ela o fez acreditar que tinha roubado algo precioso dela. Sem duvidas, era uma declaração de amor. Ela o culpava por ter roubado seu coração. Não. Ela disse que ele tinha roubado algo muito precioso. Mais precioso do que a vida de alguma pessoa. Ela agora o julgava por ter roubado um pedaço da sua alma. Doida. Ele estava começando a ficar com medo quando ela segurou a mochila dela e recolheu um caderno florido. Era dela. Ela abriu para lhe mostrar o que de tão precioso havia ali. Lhe entregou um pedaço amassado de papel. Era um texto. Começava com: "Era um garoto, que como eu, não sabia escrever"


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