terça-feira, 9 de junho de 2015

Conceito de liberdade

Ele não acreditou no que lhe disseram. Nunca acreditou, sua vida inteira. Nunca acreditou no quão curto pode ser o seu tempo. Ele achava que chegaria o dia em que tudo viria de graça até ele, que tudo se encaixaria e daria certo em um estalar de dedos. Ele esperou demais, sonhou demais, sem nunca correr atrás. Era um sonhador preguiçoso, de pernas curtas, e olhos nunca abertos.

Quando seu último dia chegou, tudo o que fez foi encarar o teto, e se imaginar em um de seus sonhos. Mergulhado no silêncio, tudo pareceu tão real, tão certo, que se sentiu com razão por esperar tanto tempo.

Em seus últimos minutos, fez diferente; não ousou abrir os olhos. Seu último suspiro nunca chegou, já que a morte o alcançou no meio da respiração. Havia um sorriso satisfeito em seu rosto, de quem não acreditava ter esperado tanto tempo para se sentir tão feliz.

Em seu último dia, ele escolheu realizar seus sonhos, mesmo que apenas em sua imaginação. Não se arrependeu, mas se libertou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário