sexta-feira, 12 de junho de 2015

Beestrô

- SAI! Sai daqui! Que merda!
- Balançar os braços não vai adiantar de nada.
- Eu sei lá... É que eu ODEIO abelhas! Eu queria que todas elas morressem!
- Quê isso cara?! Você não assistiu “Bee Movie” não?
- Assisti... E ODIEI!
O inevitável acontece. A maldita abelha finalmente finca seu ferrão no peito.
- AI! AI! AI!
- Bem feito.
- Bem feito nada. Tá doendo. Merda!
Gritar e sacudir não adianta. Em casos como este, é preciso arrancar a camisa em frente ao público e se abanar como um bebê que provou pimenta.
- Agora ela já morreu.
- Não é o bastante, eu preciso fatiar o cadáver.
Mas antes de carregar o corpo do inseto para casa, um enxame se encontrava logo atrás.
-CORRE!
-Eu não fiz nada. Você que assassinou o irmão delas...
-Me ajuda!
-Não preciso, nem quero.
Correu toda a mata em busca de sossego, os insetos, entretanto, o seguiram fielmente. Uma volta no espaço, duas voltas no espaço. Muitas voltas no espaço.
-EU TO MORRENDO!- Disse entre choros - ESTOU MUITO INCHADO! ODEIO ABELHAS!!!
Os animais se foram, reinaria felicidade? Um pequeno clarão e uma alma rabugenta.
-Fique quieto abelhudo.
-Não tem graça, e esse hospital é longe de casa!
-Calma, pra quê toda essa amargura? Toda essa empatia?
-Esses animais infernais me picaram todo, a comida acabou, a festa se foi e minha coluna vertebral está sendo destruída por essa beliche!
Era um quarto branco, como qualquer outro. Tinha uma pequena tv atrás da cortina azul, da qual se ouvia Evaristo no jornal hoje falando sobre a Redação. Grande Evaristo.
-Podia ser pior, eu poderia não estar lá pra te ajudar...
-Você ficou sentado me olhando sofrer!
-Você não chegou aqui sozinho, e alguém precisava registrar aquele momento cômico!
-Não ria de mim, ou você que vai precisar da maca!
-Vai fazer o que? Correr em círculos abanando os braços?
-Vou acabar com sua existência miserável. - Estava chateado com a chacota do outro, talvez precisasse de mais penicilina.
-Cuidado! É o senhor abelhudo! Ele vai acabar comigo! - Fazia gestos com os braços imitando o companheiro ferido, humor negro parecia ser o forte do acompanhante.
-Para! Isso está errado! Incorreto! Seu maluco! ENFERMEIRA!
-Ah é? Vai chamar as autoridades criancinha? Tá sentindo esse cheiro de leite?
-ENFERMEIRA!
A senhora obesa, com seu jaleco todo branco e cabelos negros como o óleo que brota da terra, adentra o quarto. Seu rebolado inconstante garantia um ar de tédio, algo que só se interessaria pela mais suculenta coxinha.
-O que foi agora senhor Moraes? -Perguntou com a voz estridente.
-Tira ele daqui, ele tá me importunando!- O coitado apontava o sujeito risonho com ódio e indignação nos olhos. Os cabos chacoalhando.
-Tá bom senhor Moraes, toma aqui, mais um pouco de remédio e ele já vai embora. - Dizia a mulher enquanto colocava algo no soro do velho. Ele rapidamente caiu no sono, com aquela expressão de quem havia visto um fantasma estampada no rosto.

-Velho Gagá...- Sussurrou a senhora em pensamentos altos, enquanto se dirigia ao próximo "Chamado de emergência."



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