Segue
o abismo fundo de torpor que minha alma sente
Nada
para pensar, nada para gostar, nada para fazer
O
grito eu ouço de milhões de acres
Lá
de longe já é possível perceber
A
escuridão na qual minh’alma vaga
Não
há paz, não há luz, não há vida
E
se disseres que eu já não vivo,
A
vós direis que leve o meu corpo
De
volta para a luz que não se apaga
Não
há nada para ler em meus poemas
Nem
em versos, nem em prosa, nem depois
Pois
não lhes digo mais palavras que são minhas
Já
que a dor que elas levam são eternas
E
já não sou quem vós pensais que sois
Devo
esculpir no eterno vazio
Meu
nome e só, sem companhia
Pois
a dor que vem matar a noite
É
a mesma que iluminou o dia
Veja
só os poetas apaixonados
Que
sofrem pela vasta dor do amor
Eu
sofro pela vaga alma vazia
Que
habita meu corpo hoje e sempre
Tirando
todo brilho e toda cor

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