sexta-feira, 24 de abril de 2015

Um mais um

Perdoe-me pela minha indelicadeza. Perdi o costume de agir naturalmente. Andar direito e falar com calma são habilidades que não mais possuo. Desde que me lembro, é no riso que encontro minha coragem, e se, por vezes, sou sem graça e repetitivo, é porque meu coração já não sabe o que dizer.

Quer castigo mais severo a um escritor desengonçado? Não ter palavras é o veneno que tomo toda vez que estou contigo. E se o brilho dos teus olhos me encontra, é então que me perco, que me calo, me incomodo. Por que sim, de todas as meninas que eu poderia encontrar, foi nos teus olhos que encontrei um novo mundo, nos teus braços tive minha felicidade e, no seu sorriso, fui teu servo, teu escravo.

Peça o que quiser de mim, menos distância. Porque a gravidade só me prende ao teu redor. E quando erro contas triviais, é porque não vejo sentido em números perto de você. De que me interessa esses cálculos irrisórios? Três vezes sete do seu lado é vinte oito sim. Pois eu corrijo o vinte e um com uma margem que só faz sentido com você perto de mim.

“Ora mais quanto blá blá blá romântico hora dessas... Será que esse autor não tem outro assunto?” Assunto é algo que já me falta, pois meus pensamentos só se focam em você. E quando preciso de um neurônio ou dois pra contas, um mais um passa a ser igual a você. É tão verdade que você vale por duas, por três, por quatro, por duzentas palavras de amor, mas temo cair logo em desespero e não lembrar mais do dia que estou.


Faria tudo pra lhe ver todas as noites. Só para chegar a seguinte conclusão: será a lua não tão bela como seus olhos ou será isso o indício da paixão?


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