segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Janeiro é minha sorte


Jano. Deus das duas faces. O homem que vê o futuro e o passado. Que olha para as duas faces da moeda. A cara e a coroa. Aquele capaz de confiar sua vida à própria sorte. Se lançar junto com a moeda e aceitar todos os giros que lhe forem oferecidos. O senhor do futuro e do passado me reservou uma moeda para girar e definir minha sorte. Um dado, um que me vicia mais do que a si mesmo. Uma mulher.

Marina é seu nome. Uma moeda viva. Minha vida gira conforme a sua vontade. Meu caminho depende das suas caras e coroas, dos números escritos nas faces do dado dodecaédrico que é Marina. Quando ela acorda com um sorriso refrescante, com seus olhos serenos e seus ares de menina, meu dia começa mais brilhante, mais sorridente, mais bonito. Eu quase acredito que viverei eternamente. Esqueço das guerras, da pobreza, dos atentados terroristas, de Paris e das Torres Gêmeas. As únicas torres que me interessam, como todo o respeito que me cabe, são as suas esculturais penas bronzeadas. Os únicos atentados que me perturbam são os seus olhares, que me dizem dia e noite “eu te quero perto”, “eu te quero longe”.

Mas quando ela acorda com ódio, eu sou o seu pior inimigo. Sou seu pesadelo mais infernal. E ela, bem, ela é o monstro que eu via sob a cama quando criança. Seu sorriso refrescante se transforma em presas afiadas, seus olhos serenos pulsam vermelho-sangue e seus ares de menina se tornam tufões de mulher. Nesses dias, não tenho medo de balas perdidas, de leões famintos e nem de operações de risco. Passo contando os minutos para este dia acabar para eu voltar a ter minha doce Marina de volta em meus braços.

Os mais sérios provavelmente contestarão minha insanidade. Vão se perguntar o que eu enxerguei nesta mulher para passar os meus dias com ela. Vão rir da minha desgraça e apontar minha insanidade nas esquinas do Rio de Janeiro. E eu vos digo que sou louco como um amante de montanhas-russas. Com o bônus de que nos bons momentos, é nas curvas de Marina que eu grito e levanto os braços para cima.


No fim das contas, sou eu quem rio da vossa insanidade. Pois a vida sem Marina é uma vida muito mais triste e muito mais feliz. Tenho pena de vós que nunca entenderão como um beijo pode significar “eu te odeio” e um arranhão pode significar “eu te amo”.


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