Marina é seu nome. Uma
moeda viva. Minha vida gira conforme a sua vontade. Meu caminho depende das
suas caras e coroas, dos números escritos nas faces do dado dodecaédrico que é
Marina. Quando ela acorda com um sorriso refrescante, com seus olhos serenos e
seus ares de menina, meu dia começa mais brilhante, mais sorridente, mais
bonito. Eu quase acredito que viverei eternamente. Esqueço das guerras, da
pobreza, dos atentados terroristas, de Paris e das Torres Gêmeas. As únicas
torres que me interessam, como todo o respeito que me cabe, são as suas
esculturais penas bronzeadas. Os únicos atentados que me perturbam são os seus
olhares, que me dizem dia e noite “eu te quero perto”, “eu te quero longe”.
Mas quando ela acorda
com ódio, eu sou o seu pior inimigo. Sou seu pesadelo mais infernal. E ela,
bem, ela é o monstro que eu via sob a cama quando criança. Seu sorriso
refrescante se transforma em presas afiadas, seus olhos serenos pulsam
vermelho-sangue e seus ares de menina se tornam tufões de mulher. Nesses dias,
não tenho medo de balas perdidas, de leões famintos e nem de operações de
risco. Passo contando os minutos para este dia acabar para eu voltar a ter
minha doce Marina de volta em meus braços.
Os mais sérios
provavelmente contestarão minha insanidade. Vão se perguntar o que eu enxerguei
nesta mulher para passar os meus dias com ela. Vão rir da minha desgraça e
apontar minha insanidade nas esquinas do Rio de Janeiro. E eu vos digo que sou
louco como um amante de montanhas-russas. Com o bônus de que nos bons momentos,
é nas curvas de Marina que eu grito e levanto os braços para cima.
No fim das contas,
sou eu quem rio da vossa insanidade. Pois a vida sem Marina é uma vida muito
mais triste e muito mais feliz. Tenho pena de vós que nunca entenderão como um
beijo pode significar “eu te odeio” e um arranhão pode significar “eu te amo”.


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