E
mais um shot. As
pessoas urraram à minha volta. Algumas até vieram me cumprimentar! A maioria
tão bêbada quanto eu. Sorrio pra rostos estranhos, que sorriem de volta,
enquanto caminho em direção à poltrona recentemente vazia.
Alguns minutos depois -ou foram horas?, um garçon*
se senta à minha frente.
-Madame, vouz êtes bien?**-
Infelizmente, minhas forças só me deixaram fazer um não com a cabeça. Me
levantei e quase caí, mas o rapaz me segurou.
-Merci- disse. Deve ter saído maisou
menos assim: “mícííí”. Bem, grâce à toi*** , todos aqueles anos
no curso de Francês e os diplomas de proficiência não sevem para nada. Estou,
às 2h40, em uma Paris com poucas almas vivas perambulando por aí, enquanto um
estranho me carrega de volta até meu hotel.
A última coisa de que me lembro da noite
passada, foi correr para o banheiro e depois chorar aé cair no sono.
Graças a você, eu posso concorrer a uma vaga
no Guinness 2016. Já pensou? Por sua causa,
meu dinheiro, minha sanidade e minha vontade de viver acabaram.
Penso em todos os donos de pubs,
botequins, farmácias e catadores de lata, devem ter ficado ricos por causa de
nós dois. Penso nos terapeutas, nos entregadores de delivery e nos
“caça-tretas” no Facebook (que esperavam até altas horas da madrugada por meus
textos pedindo que você voltasse pra mim ou eu xingando sua atual).
Me balanço pra frente, no parapeito da varanda
do hotel. Lá em baixo, os carros passam rápido demais para que meus olhos
não-sóbrios possam acompanhar ou meu cérebro possa processar. Então, tão rápido
quanto os carros ou até mesmo quanto a velocidade com que eu esvaziei garrafas
de Wisky e Vodcka, meu corpo cai em direção ao asfalto.
-Olha, mãe! Aquela moça está voando!- Ouço um
menininho gritar, entusiasmado.
Que romântico, penso
com desprezo, morrer de amor, na cidade mas romântica do mundo. Tomara
que ele nunca conheça essa desgraça que o amor pode se tornar.

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