terça-feira, 11 de agosto de 2015

A noite


Um chocolate quente, minha cama, um cobertor, e os filmes de romance que passam na televisão são a minha companhia, depois que você se foi. Fico rolando na cama: não consigo mais dormir, e se durmo, tenho pesadelos. Minhas crises de ansiedade aumentaram em cem por cento, afinal, era você que as fez parar. Agora já não tenho mais você, e não há mais nada que eu possa fazer para controlar meu coração acelerado, a não ser alguns remédios controlados. Passo a maior parte das madrugadas em claro. A única pessoa com quem posso conversar, e comigo mesma.

“Eu deveria te ligar, te pedir desculpas. Sei que a culpa e minha. Mas você não iria aceita-las, e eu entenderia. Mas mesmo assim quero te ligar. Ouvir sua voz uma última vez. Saber que sou o motivo das suas lágrimas me mata por dentro. É um peso grande que tenho que carregar nas costas. Sei também que eu pedi demais de você. Pedi o que você podia e o que você não podia me dar. Eu me contradisse várias vezes, pois já não sabia mais o que era real e o que eu inventei. E mesmo com tudo isso, eu não consigo me afastar de você. Depois de todo esse tempo, eu ainda te amo. Sabia disso?

Mas sabe? Nosso amor me rendeu um bom livro. Estou escrevendo todas as memórias que ainda me lembro de quando estávamos juntos. Irei fazer o possível para publicar. Gostaria que você pudesse ler um dia. Passo muito tempo em casa graças a minha depressão, e agora meu cabelo esta enorme de novo, pois agora pouco me importo com isso.

Você sabe de todos os meus segredos e mais um pouco. Te contei tudo o que sei e até o que eu não sei. E mesmo assim, deixei de te falar tanta coisa. Guardei minha paixão por você por tantos anos, e agora estraguei tudo. O tempo se vai, mas o amor fica. Eu só queria que soubesse que o que eu sinto por você não foi embora. E nem vai.”

Meu reflexo no espelho me encara, assim como eu o encaro. E depois de tantas horas com o celular na mão, e o medo crescendo em meu peito, finalmente decido apertar o único botão necessário.

“Pi... Pi... Pi...”


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