Era uma vez um porquinho.
O porquinho andava tranquilamente pela rua quando viu uma linda leitoazinha. Se admirou com sua beleza rosada e começou a se aproximar da leitoa.
Dias passaram. O porquinho não desgrudava da leitoa. Os dois viviam num vortex temporal chamado amor. Bom, pelo menos o porquinho.
Eis que então surge uma porquinha. A porquinha não parava de chorar. O porquinho, solidário, resolveu falar com ela:
- Por que choras porquinha?
- Porque o porquinho que me encanta está envolvido com uma outra.
- E quem seria este?
- Você não conhece, porquinho.
- Mas ele teve a coragem de ficar com outra enquanto você chora por ele?
- Sim. Mas a culpa não é dele, é dela.
- Como pode ser dela?! O porquinho sabia como voe se sentia e mesmo assim ficou com outra...
- Ele não sabia.
- Como não? Você não disse que era louca por ele?!
- Sim, mas nunca tive coragem de falar.
- Ora, onde já se viu?! Guardar um sentimento tão bonito só pra você? Isso é loucura!
- Sim, mas a culpa é dela. Ela devia ter notado que eu chorava por ele.
- Sendo assim, ele também deveria ter notado.
- Mas...
- A culpa é sua. Você não deveria ficar corroendo um sentimento. Sofra com suas próprias ações.
- Mas...
- Adeus porquinha.
E o porquinho foi voltar para seu amoroso vortex com a leitoa, sem nunca saber que era tão desejado. Mais desejado do que quando foi assassinado e se entalou com uma maçã na ponta da boca, sem nunca poder comê-la. Nem mesmo quando seria sua ultima refeição.

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