Ela tentou. Tentou bastante, e ainda tenta. Mas nada parece ser o suficiente.
Não consegue ser melhor, não consegue esquecê-lo, não consegue ser quem querem que ela seja. Já tentou sentir os perfumes das rosas, já tentou ter outros amores, já tentou as mais absurdas dietas e remédios para emagrecer, mas nada parece resolver. É como se todo o esforço feito fosse em vão, é como se a vida a quisesse ali, naquele lugar onde ela está. É como se já fosse destinado a ela nunca alcançar seus objetivos, a uma fonte de felicidade em que ela possa se deliciar, depois de tanto sangue derramado por aquilo. Então, valeria a pena se esforçar cada vez mais, tendo consciência de que não a levará a lugar nenhum?
Talvez ela tenha nascido com a incapacidade de cheirar a beleza das flores, talvez ela seja predestinada a amar a uma única pessoa, mesmo sabendo que nunca seria capaz de sua paixão correspondê-la, talvez ela não seja capaz de mudar sua essência, que a faz única nesse mundo, mesmo que atualmente, ninguém se importe com isso. Talvez ela viva apenas para passar o tempo com lágrimas nos olhos e um sorriso falso na boca.
Qual seria então o sentido de viver, se a vida foi feita para fazê-la sofrer?
Qual é o sentido de tentar novamente?
Ela não sabe a resposta. Não sabe e não tem certeza se gostaria de descobrir. Porque ela considera o risco de acabar se tornando uma estátua de pedra desde que lhe prometeram que as perguntas movem o mundo. Porque ela sonha todas as noites que pode voar e quando acorda percebe que mal consegue andar. Mesmo os ratos preferem roer seu corpo do que as cordas que limitam os movimentos de suas mãos. Seus ombros carregam o peso extra que seu coração não consegue mais suportar. E mesmo que ela pudesse andar ela não saberia pra onde ir. Ela também não precisa se flagelar porque seus pensamentos dão conta do trabalho.
Qual é o nome dessa sensação? Incapacidade? Insuficiência?
Por quanto tempo é possível carregar o fardo mais próximo da morte?
E ainda que ela não compreenda que o amor por si só já é uma longa história, tudo o que ela conhece é o desejo desesperador de protagonizar uma história de amor. Pra fazer tudo valer a pena. Pra provar pra si mesma que ela vale a pena. Que alguém está disposto a se esforçar por ela da maneira que ela já se esforçou por tantos outros. Porque ela precisa que a vida a compense e aqueles que conseguem realizar seus desejos a sua volta tornam-se a justificativa que o inconsciente dela precisa pra tortura-la. Mas ela não sabe disso. A inveja inconsciente é como uma doença. Como um parasita prestes a comê-la de dentro pra fora. E quando ela descobrir pode ser tarde demais. Porque ela está cega por uma luz que não consegue alcançar e com medo de uma escuridão da qual não consegue escapar. Não há presente. Não há futuro. Ela passa a vida escolhendo com a certeza de que sempre escolhe errado. Uma bela definição pro destino.
Não há nada além de uma garota questionando o sentido do seu existir.


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