A história que você
lerá a seguir é verdadeira, mas pode ser que não seja. Se não for, é pura
mitologia, mas é verdade. Então acredite de uma vez e poderemos começar.
Três jovens donzelas
pela faixa dos quinze anos costumavam sair juntas, apesar de seus pais
frequentemente alertá-las quanto ao perigo de saírem pela rua. Nenhuma das três
comprava o aviso. Para elas, tudo não passava de uma bobagem, uma punição, tudo
por estarem em idade de se casarem. A primeira chamava-se Odélia. Era corajosa
e forte. Gostava de provar a sua força e jurou que só se casaria se encontrasse
um homem que lhe oferecesse uma vida de aventuras. A segunda, Sirina, era uma típica
dondoca. Não gostava de sujar as mãos, apreciava bons vinhos e sonhava com um
dia que um cavalheiro rico lhe ofereceria uma vida de mordomias. Já a terceira,
Lena, não sonhava com aventuras ou com fortuna. Levava uma vida simples e
apreciava as coisas que a vida lhe oferecia. Não pensava em se casar, a menos
que encontrasse um amor que realmente valesse a pena.
Apesar de tantas
diferenças, as jovens compartilhavam uma amizade enorme e saiam juntas pelos fins
de tardes. Certa vez, perto da hora que costumavam voltar, Odélia sugeriu uma
manobra diferente e ousada. Queria andar até o lago e banhar-se nas suas águas.
Sirina aceitou o desafio, mas Lena receava que a noite caísse logo. Ainda
assim, ambas as três foram para o lago. Despiram-se e mergulharam nuas nas
águas rasas.
A noite caiu e elas mal
percebiam. Eis que então três cavalheiros surgem das sombras e se deparam com
as nudistas do lago. A vergonha era tanta e elas se vestiram. Assim que
recuperaram sua decência, o primeiro cavalheiro começou a falar a Odélia.
“Oh cara donzela, teu
corpo forte e escultural foi feito para navegar comigo pelos sete mares. Venha
comigo encontrar aventuras inenarráveis e tesouros dos mais variados e
prometo-lhe casamento assim que rumarmos à terra firme.”
Odélia pulou de
felicidade e se atirou nos braços do primeiro cavalheiro. O segundo cavalheiro
pigarreou e se dirigiu a Sirina.
“Oh cara donzela, teu
corpo é de uma majestade e sutileza que nenhum homem jamais viu. Venha comigo e
compartilharemos uma vida de muita fartura e muita riqueza em um castelo que
tenho por detrás das colinas. Lá, ordeno que preparem tudo para nosso
casamento.”
Sirina se encheu de
felicidade e pulou nos braços do segundo cavalheiro. O terceiro cavalheiro fez
um gesto de silêncio e se dirigiu a Lena.
“Oh cara donzela, teu
corpo é o que mais quero neste mundo. És de uma beleza implacável e de um
coração muito puro. Venha comigo e lhe oferecerei a vida que quiseres, com ouro
e joias que quiseres, quando quiseres. Lhe peço em casamento e lhe prometo que
seremos felizes por uma eternidade.”
Lena olhou nos olhos do
cavalheiro e não encontrou o que procurava. No lugar, encontrou um olhar
amaldiçoado, uma aura de morte que encobria todo o seu entorno. Ela respirou
fundo e lhe respondeu:
“Agradeço a gentileza,
mas não procuro por nada que se possa oferecer. Minha busca incessante é por um
amor e isso não é algo que se ofereça para ninguém. Amor é algo que se rouba,
pois ninguém em sã consciência irá escolher amar outro alguém. O amor só
acontece ao acaso. Por mais que sua oferta possa tentar a muitas mulheres, o
meu amor não é algo que possas ter, ele está guardado para algum outro ladrão.”
O terceiro cavalheiro
sumiu em fumaça e os outros dois levaram as almas de Sirina e Odélia. Lena
chorou, mas no fundo sabia que os corações que não se abrem para o amor estão
destinados a um futuro sombrio no qual somente a morte é uma alternativa
saudável. Ninguém vive sem amor.

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