terça-feira, 23 de junho de 2015

Quem?

No meu último dia são, só o que quero é abraçar a insanidade.

Meu mundo acabou. Ela me trouxe o fim do mundo. Ela destruiu minha sanidade.

Acho que tenho que virar escritor. Tenho que escrever. Meu mundo acabou.

O que eu posso fazer no meu último dia de sanidade? É chegada a hora. O autor se encontra com seu lápis e um texto enfim deve sair. Também, pudera... Quanto tempo faz que não saem mais palavras de mim? Acho que me calei por muito tempo. Mudo, quieto, recolhido num canto empoeirado. Finalmente é hora de voltar a escrever. “Escrever sobre o quê?” Me pergunto. “O que há no mundo que valha uma redação?”

Silêncio. Ouço o eco ecoar dentro de mim. Será que perdi minha criatividade? Quando foi que me tornei assim repetitivo? Quando foi que me tornei assim... Ah esquece. Minha imaginação foi queimada com um calor muito quente. Meus pensamentos estão congelados em um frio congelante. Minhas falas guardam tão pouco sentido que chegam a ser sem sentido. E de repente... oi? Onde foi que comecei?

Ah sim! Espera... Não. O que eu estou fazendo? Quando foi que eu comecei a fazer isso mesmo? Eu escrevo? Nem sabia. Espera. Por que é mesmo que as coisas caem para baixo? Gravi-quê? Estou perdido. Eu disse que não sabia escrever. Não tem nada dentro desta cabeça que sirva para um texto. Meu mundo de criatividade está vazio sem ninguém. Eu preciso de um pouco de criatividade criativa. Prometo que vou parar de repetir o que eu disse. Prometo. Que vou parar de repetir o que eu disse. 

O vento sopra longe. Se é longe como eu sei que sopra. Não posso confiar na minha mente. Ela me conta frases sem sentido. Minha cabeça diz que eu tenho que escrever. Mas sobre o quê, inferno? Escrever sobre quem? Escrever sobre quem? Ah. Ela não. Ela de novo não. Prometi que iria parar de me repetir. Não ela de novo não. Escrever de novo sobre a mesma pessoa? Eu disse que não saberia escrever.

Quero um outro tema. Quero uma outra diretriz. Eu não sei do que estou falando, só sei que não estou falando dela. Porque dela eu não quero falar. Já disse que não. Já disse que não. Repetir a mesma fórmula não. Eca, fórmulas... Não pedi para ser cozinheiro. Não quero receitas para felicidade. Eu cuspo na sua felicidade. Minha vida está um caos e assim que deve ficar. Minha cabeça vai continuar girando infinitamente, vou continuar me repetindo. Eu prometi que não ia repetir. Pois é eu não cumpro promessas. Desde que ela apareceu. Desde que ela apareceu a única promessa que eu vou manter é não falar com ela. Nunca. Nunquinha. Vou parar de me repetir. Um dia. Quem sabe? 

Minha cabeça não funciona mais.

Esse é meu último dia de sanidade.

Vou escrever.

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