Há muito tempo, há milhas de distância, estava uma linda rainha sentada em
seu aposento olhando através da janela a neve cair no jardim. Naquele mesmo
mês, a rainha deu a luz a sua primogênita, e a nomeou de Branca de Neve, por
causa do tom tão claro da pele da recém-nascida.
Anos se passaram, e apesar do amor da rainha, ela
sempre sentiu inveja da filha também. A Branca de Neve era mais bonita do que
ela. Certo dia, pouco depois de Branca ter atingido a idade adulta, a rainha no auge de sua raiva
expulsou a menina do castelo, esperando que seu filho mais novo pudesse
governar a realeza melhor, já que o príncipe estava noivo.
Branca de Neve foi expulsa, mas todos no vilarejo perto do castelo a acolheram, e ficaram com raiva da rainha. Enquanto Branca, bem inocente e pura, não sentia raiva da mãe, sentia saudades do pai que morrera dois anos atrás. Todos os dias a rainha não deixava de ouvir comentários como "ela não devia ter feito isso com a própria filha, tão bonita a menina", e como a maioria dos comentários envolviam beleza, sua raiva aumentou a ponto de odiar Branca de Neve.
Passando alguns dias, ela tomou a decisão de
que só ia ficar contente com a filha morta. Chamou o caçador real, e
exigiu a ele o fígado, pulmões e coração da menina. O caçador foi então
procurar em todas as casas do vilarejo e na floresta ao redor do castelo,
mas Branca já havia fugido de lá assim que ouvira o boato de que um
caçador iria persegui-la. Dois dias depois e nada da princesa, o
caçador com medo das consequências de voltar sem nada,
resolveu matar um porco selvagem e levar os órgãos do animal até a
rainha, que mandou os cozinheiros prepararem a refeição, e comeu junto ao filho
os órgãos.
Algumas semanas se passaram até que um cavaleiro real
afirmara ter visto Branca de Neve em uma casa, um pouco longe do vilarejo. Não
satisfeita com a possível vida de sua filha, a rainha foi pessoalmente à casa,
que estava vazia no momento, mas pela janela a rainha observou oito camas e,
definitivamente, o vestido de sua filha. Resolveu então envenenar a macieira
que havia no jardim, e colocou um guarda de vigia por ali. Depois que os frutos
cresceram, Branca de Neve colheu oito maçãs da árvore. Uma para
ela, e as outras para os sete trabalhadores da mina que a acolheram em sua
casa. Depois do jantar, todos pegaram uma maçã para comer. Bastou uma
mordida para os oito caírem no chão. O guarda foi então avisar a rainha, que
mandou enterrar os oitos corpos e colocar fogo na casa.
Apesar da crueldade da mãe, Branca de Neve ainda era
uma princesa, e deveria ser velada ao lado de seu pai. Foi levada então ao
castelo, em um caixão feito de vidro para que todos pudessem ver sua beleza - o
caixão de vidro foi um dos últimos pedidos do rei antes de falecer - o que
deixou a rainha com mais raiva, já que mesmo morta sua filha conseguia ser mais
bela. Naquela mesma tarde, havia chegado ao castelo o rei e um príncipe do reino do Norte para
fazer negócios, então a rainha resolveu adiar o velório da filha para cuidar
dos assuntos que lhe interessavam.
Quando o príncipe do reino distante viu Branca de Neve
no caixão, imóvel, com a beleza indescritível apaixonou-se de tal maneira que estava decidido a
casar-se com ela, e não importaria o fato da princesa estar morta. A rainha então aceitou o casamento, já que
só traria acordos e prosperidade entre os reinos, e principalmente
porque assim, Branca de Neve iria sair de seu reino, e ela poderia ser
novamente a mais bela entre todas.
A princesa, e agora noiva foi então
posta no cavalo junto ao noivo para irem até o navio (já que o
casamento ocorreria no reino do príncipe). Passado algumas horas de viagem, já
chegando no cais, Branca de Neve com o trotar do animal acordou, cuspindo um
pedaço de maçã que havia ficado preso em sua garganta. Sem forças,
não conseguiu dizer nada. Mal conseguia abrir os olhos. Só acordou com um pouco
mais de força quando já estava em alto mar. A felicidade do príncipe foi
tamanha que ela não entendeu nada no início, não sabia nem o nome da pessoa que
dizia que ia casar com ela.
Branca de Neve conseguiu se recuperar bem e entender
tudo que havia acontecido. Não estava feliz por se casar com alguém que ela não
conhecia, mas conseguia viver com isso já que o amor do príncipe era
aparentemente verdadeiro. Ela estava feliz por não precisar voltar ao seu
reino, e não precisar sofrer por causa de sua mãe nunca mais. Meses depois ocorreu o casamento, que
trouxe novos comentários ao ouvido da rainha, como "a moça que se casou no
reino do Norte é tão linda. Dizem que ninguém tem beleza parecida com a
dela".
A rainha então não conseguira entender como uma pessoa
morta poderia ser mais bonita do que ela, e dedicou os últimos anos de sua vida
tentando inventar um método para ela não envelhecer, já que o cadáver, um dia, iria ficar feio. - Mal sabia a rainha que sua filha
estava viva -. Continuando com seus experimentos e a loucura de obter sucesso,
a rainha faleceu no meio de uma experiência, que acabou por deixar seu rosto
deformado. Ela passou a ser então, a mais feia do reino, exposta em um caixão
de vidro.
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