terça-feira, 10 de março de 2015

Era Outra Vez: Branca de Neve

Há muito tempo, há milhas de distância, estava uma linda rainha sentada em seu aposento olhando através da janela a neve cair no jardim. Naquele mesmo mês, a rainha deu a luz a sua primogênita, e a nomeou de Branca de Neve, por causa do tom tão claro da pele da recém-nascida.
Anos se passaram, e apesar do amor da rainha, ela sempre sentiu inveja da filha também. A Branca de Neve era mais bonita do que ela. Certo dia, pouco depois de Branca ter atingido a idade adulta, a rainha no auge de sua raiva expulsou a menina do castelo,  esperando que seu filho mais novo pudesse governar a realeza melhor, já que o príncipe estava noivo. 
Branca de Neve foi expulsa, mas todos no vilarejo perto do castelo a acolheram, e ficaram com raiva da rainha. Enquanto Branca, bem inocente e pura, não sentia raiva da mãe, sentia saudades do pai que morrera dois anos atrás. Todos os dias a rainha não deixava de ouvir comentários como "ela não devia ter feito isso com a própria filha, tão bonita a menina", e como a maioria dos comentários envolviam beleza, sua raiva aumentou a ponto de odiar Branca de Neve. 
Passando alguns dias, ela tomou a decisão de que só ia ficar contente com a filha morta. Chamou o caçador real, e exigiu a ele o fígado, pulmões e coração da menina. O caçador foi então procurar em todas as casas do vilarejo e na floresta ao redor do castelo, mas Branca já havia fugido de lá assim que ouvira o boato de que um caçador iria persegui-la. Dois dias depois e nada da princesa, o caçador com medo das consequências de voltar sem nada,  resolveu matar um porco selvagem e levar os órgãos do animal até a rainha, que mandou os cozinheiros prepararem a refeição, e comeu junto ao filho os órgãos. 
Algumas semanas se passaram até que um cavaleiro real afirmara ter visto Branca de Neve em uma casa, um pouco longe do vilarejo. Não satisfeita com a possível vida de sua filha, a rainha foi pessoalmente à casa, que estava vazia no momento, mas pela janela a rainha observou oito camas e, definitivamente, o vestido de sua filha. Resolveu então envenenar a macieira que havia no jardim, e colocou um guarda de vigia por ali. Depois que os frutos cresceram, Branca de Neve colheu oito maçãs da árvore. Uma para ela, e as outras para os sete trabalhadores da mina que a acolheram em sua casa. Depois do jantar, todos pegaram uma maçã para comer. Bastou uma mordida para os oito caírem no chão. O guarda foi então avisar a rainha, que mandou enterrar os oitos corpos e colocar fogo na casa. 
Apesar da crueldade da mãe, Branca de Neve ainda era uma princesa, e deveria ser velada ao lado de seu pai. Foi levada então ao castelo, em um caixão feito de vidro para que todos pudessem ver sua beleza - o caixão de vidro foi um dos últimos pedidos do rei antes de falecer - o que deixou a rainha com mais raiva, já que mesmo morta sua filha conseguia ser mais bela. Naquela mesma tarde, havia chegado ao castelo o rei e um príncipe do reino do Norte para fazer negócios, então a rainha resolveu adiar o velório da filha para cuidar dos assuntos que lhe interessavam. 
Quando o príncipe do reino distante viu Branca de Neve no caixão, imóvel, com a beleza indescritível apaixonou-se de tal maneira que estava decidido a casar-se com ela, e não importaria o fato da princesa estar morta. A rainha então aceitou o casamento, já que só traria  acordos e prosperidade entre os reinos, e principalmente porque assim, Branca de Neve iria sair de seu reino, e ela poderia ser novamente a mais bela entre todas. 
A princesa, e agora noiva foi então posta  no cavalo junto ao noivo para irem até o navio (já que o casamento ocorreria no reino do príncipe). Passado algumas horas de viagem, já chegando no cais, Branca de Neve com o trotar do animal acordou, cuspindo um pedaço de maçã que havia ficado preso em sua garganta. Sem forças, não conseguiu dizer nada. Mal conseguia abrir os olhos. Só acordou com um pouco mais de força quando já estava em alto mar. A felicidade do príncipe foi tamanha que ela não entendeu nada no início, não sabia nem o nome da pessoa que dizia que ia casar com ela. 
Branca de Neve conseguiu se recuperar bem e entender tudo que havia acontecido. Não estava feliz por se casar com alguém que ela não conhecia, mas conseguia viver com isso já que o amor do príncipe era aparentemente verdadeiro. Ela estava feliz por não precisar voltar ao seu reino, e não precisar sofrer por causa de sua mãe nunca mais. Meses depois ocorreu o casamento, que trouxe novos comentários ao ouvido da rainha, como "a moça que se casou no reino do Norte é tão linda. Dizem que ninguém tem beleza parecida com a dela".

A rainha então não conseguira entender como uma pessoa morta poderia ser mais bonita do que ela, e dedicou os últimos anos de sua vida tentando inventar um método para ela não envelhecer, já que o cadáver, um dia, iria ficar feio. - Mal sabia a rainha que sua filha estava viva -. Continuando com seus experimentos e a loucura de obter sucesso, a rainha faleceu no meio de uma experiência, que acabou por deixar seu rosto deformado. Ela passou a ser então, a mais feia do reino, exposta em um caixão de vidro. 

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