terça-feira, 17 de março de 2015

Era Outra Vez: Cachinhos Dourados

‒ ALGUÉM SENTOU NO MEU SOFÁ!‒ Gritou o homem vindo da sala.
Carina se assustou com o berro e parou imediatamente. Hans, por sua vez, não conseguia resistir e continuava se enroscando nos cachinhos dourados da menina. Ela bem que gemia, mas não podia gostar muito, porque estava apavorada com os berros que vinham da sala.
‒ Hans, preste atenção! Os donos da casa chegaram ‒ falou a garota cautelosa.
‒ E daí, meu amor? Deixe que subam. Ainda temos cinco minutinhos até que decidam vir no quarto. Fizemos uma bagunça lá embaixo. Não era essa a ideia?‒ Indagava Hans, com o seu otimismo rotineiro e sua falta de limites quando o assunto era o seu prazer.
‒ Sim, mas a gente não contava que chegariam tão cedo. A bagunça era para o caso de chegarem e estarmos dormindo. Estou preocupada, não vou conseguir nada assim.
Carina se levantou e apanhou a calcinha que estava no chão. Enquanto se vestia, procurava o sutiã que havia sido arremessado (pela janela?) durante os momentos mais selvagens do casal. Invadir casas era algo bem comum na vida de Carina, ela gostava de entrar e vigiar para tentar conhecer os donos só pelas coisas que tinham. Entretanto, nunca havia entrado para namorar.
‒ MEU CARRINHO, MAMÃE! ALGUÉM BRINCOU COM MEU CARRINHO!‒ Gritou uma criança desesperada no andar debaixo.
O desespero só aumentou ao perceber que havia uma criança inocente na sala. Um pequenino que poderia se deparar com alguma cueca ou alguma camisinha no seu quarto e com certeza ficaria aterrorizado para o resto de sua vida.
Hans enfim se convenceu que era hora de ir. Fechou o zíper da calça e colocou a camisa. Bagunçou mais algumas coisas. Abriu gavetas para que os donos da casa pensassem que um ladrão havia tentado assaltar sua casa.
Rapidamente, os dois foram em direção à janela assim que Carina ouviu passos na escada. Era só o segundo andar, mas, mesmo assim, era uma altura de meter medo nos menos corajosos. Hans pulou primeiro e torceu o pé. Carina pulou logo em seguida e o ajudou a se levantar. Os dois correram, ou melhor saltitaram, até que estivessem bem longe daquela casa.
‒ Quero só ver você contar essa história para o seu noivo. Eu sei que vou contar essa história para nossos filhos quando os tivermos ‒ disse Hans animado e já sentindo menos dor no pé.
‒ Contar o quê? Que seus pais quase foram pegos transando em uma casa alheia? Que exemplo! E é claro que não vou contar para o meu noivo. Eu prezo o meu noivado ‒ contou ela.
‒ Percebo. Quando eu contar, posso dizer que você era uma menininha linda e inocente...
‒Sei, de cachinhos dourados...
‒ Sim. Cachinhos Dourados. E invadiu a casa de três ursos.
‒ Por que ursos?
‒ Não sei ‒ alegou Hans. ‒ Acho que dá emoção.
‒ Já não é emoção o suficiente quase sermos pegos?
‒ Quem falou em nós? Na minha história só vai ter você. Uma garota inocente e burra que resolveu invadir a casa de três ursos para comer mingau e dormir nas suas camas.
‒ E por que eu faria isso?‒ Perguntou Carina.

‒ Por que você gosta do perigo. Mas fique calma. No final, direi a todos que vivemos felizes para sempre...


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