‒ ALGUÉM SENTOU NO MEU
SOFÁ!‒ Gritou o homem vindo da sala.
Carina se assustou com
o berro e parou imediatamente. Hans, por sua vez, não conseguia resistir e
continuava se enroscando nos cachinhos dourados da menina. Ela bem que gemia,
mas não podia gostar muito, porque estava apavorada com os berros que vinham da
sala.
‒ Hans, preste atenção!
Os donos da casa chegaram ‒ falou a garota cautelosa.
‒ E daí, meu amor?
Deixe que subam. Ainda temos cinco minutinhos até que decidam vir no quarto.
Fizemos uma bagunça lá embaixo. Não era essa a ideia?‒ Indagava Hans, com o seu
otimismo rotineiro e sua falta de limites quando o assunto era o seu prazer.
‒ Sim, mas a gente não
contava que chegariam tão cedo. A bagunça era para o caso de chegarem e
estarmos dormindo. Estou preocupada, não vou conseguir nada assim.
Carina se levantou e
apanhou a calcinha que estava no chão. Enquanto se vestia, procurava o sutiã
que havia sido arremessado (pela janela?) durante os momentos mais selvagens do
casal. Invadir casas era algo bem comum na vida de Carina, ela gostava de
entrar e vigiar para tentar conhecer os donos só pelas coisas que tinham.
Entretanto, nunca havia entrado para namorar.
‒ MEU CARRINHO, MAMÃE!
ALGUÉM BRINCOU COM MEU CARRINHO!‒ Gritou uma criança desesperada no andar
debaixo.
O desespero só aumentou
ao perceber que havia uma criança inocente na sala. Um pequenino que poderia se
deparar com alguma cueca ou alguma camisinha no seu quarto e com certeza
ficaria aterrorizado para o resto de sua vida.
Hans enfim se convenceu
que era hora de ir. Fechou o zíper da calça e colocou a camisa. Bagunçou mais
algumas coisas. Abriu gavetas para que os donos da casa pensassem que um ladrão
havia tentado assaltar sua casa.
Rapidamente, os dois
foram em direção à janela assim que Carina ouviu passos na escada. Era só o
segundo andar, mas, mesmo assim, era uma altura de meter medo nos menos
corajosos. Hans pulou primeiro e torceu o pé. Carina pulou logo em seguida e o
ajudou a se levantar. Os dois correram, ou melhor saltitaram, até que estivessem
bem longe daquela casa.
‒ Quero só ver você
contar essa história para o seu noivo. Eu sei que vou contar essa história para
nossos filhos quando os tivermos ‒ disse Hans animado e já sentindo menos dor
no pé.
‒ Contar o quê? Que
seus pais quase foram pegos transando em uma casa alheia? Que exemplo! E é
claro que não vou contar para o meu noivo. Eu prezo o meu noivado ‒ contou ela.
‒ Percebo. Quando eu
contar, posso dizer que você era uma menininha linda e inocente...
‒Sei, de cachinhos dourados...
‒ Sim. Cachinhos
Dourados. E invadiu a casa de três ursos.
‒ Por que ursos?
‒ Não sei ‒ alegou Hans.
‒ Acho que dá emoção.
‒ Já não é emoção o
suficiente quase sermos pegos?
‒ Quem falou em nós? Na
minha história só vai ter você. Uma garota inocente e burra que resolveu
invadir a casa de três ursos para comer mingau e dormir nas suas camas.
‒ E por que eu faria
isso?‒ Perguntou Carina.
‒ Por que você gosta do
perigo. Mas fique calma. No final, direi a todos que vivemos felizes para
sempre...
.jpg)


Nenhum comentário:
Postar um comentário